ETAPA 2: DE RONCESVALLES A PAMPLONA
Xavier Rodríguez PrietoDepois dos Pirineus, a Etapa 2 é um alívio — e então, exatamente quando você começa a pensar que a Galiza começa agora, ela lembra que você está na Navarra. A etapa desce constantemente de Roncesvalles por florestas de faias e carvalhos, segue o vale do rio Arga por 20 km, e te leva a Pamplona: uma cidade com 75.000 anos de ocupação humana, três bairros medievais que passaram séculos em guerra uns com os outros, e o festival de um santo que todo julho transforma suas ruas em um dos espetáculos mais famosos da Europa. Quarenta e oito quilômetros, tecnicamente exigente na variante pelo caminho, terminando em uma das grandes cidades do Caminho Francês.
| Distância | Dislivello acumulado | Tempo estimado | Dificuldade | Distância até Santiago |
|---|---|---|---|---|
| 48 km | +700 m cumulativos | 4–5 horas pedalando | 🟡 Média–Alta | ~753 km |
Paradas principais: Cruz de los Peregrinos (km 1) · Burguete (km 3) · Espinal (km 6) · Alto de Mezkiriz (km 9) · Bizkarreta (km 12) · Alto de Erro (km 16) · Zubiri (km 20) · Larrasoaña (km 27) · Arre (km 43) · Villaba (km 45) · Pamplona (km 48)

Perfil do percurso e marcos principais
A Cruz de los Peregrinos: um mistério montado a partir de fragmentos (km 1)

Logo após deixar a N135, no início do caminho tradicional, você encontra o primeiro grande marco da Etapa 2: a Cruz de los Peregrinos. Junto com a Cruz de Ferro em Foncebadón, é a cruz mais famosa de todo o Caminho Francês — e ao contrário da Cruz de Ferro, está cercada de genuína controvérsia histórica.
O que você vê é uma cruz gótica — gótica em estilo, provavelmente do século XIV nos seus elementos sobreviventes mais antigos. A escultura mostra Jesus crucificado no topo, a Virgem com o Menino abaixo, e duas figuras nos lados tradicionalmente identificadas como o rei Sancho VII «o Forte» da Navarra e sua esposa Clemência. A controvérsia é sobre a origem: os documentos estabelecem que em 1880 o prior de Roncesvalles montou a cruz como ela está hoje a partir dos restos de várias cruzes anteriores diferentes. Uma teoria sustenta que eles incluem fragmentos da Cruz de Rolando (século XV). Outra argumenta que derivam de uma cruz instalada pelo próprio Carlos Magno no século VIII no Alto de Ibañeta — uma afirmação apoiada pelo Codex Calixtinus. Ninguém sabe com certeza. E é exatamente isso que faz valer a pena parar.
Burguete, Espinal e as trutas de Hemingway (km 3–8)

Burguete (km 3) leva seu nome diretamente de sua origem: era um burgo — um pequeno assentamento dependente — criado para servir o hospital de peregrinos de Roncesvalles. Continue para Espinal (km 6) — um clássico pueblo-calle navarrese. A paisagem ao redor de Espinal é campo pastoral navarrese: prados, florestas de faias, o som do rio Irati abaixo. Ernest Hemingway passou por esta área e a descreveu em Fiesta (1926), onde Jake Barnes e Bill Gorton vêm aqui pescar trutas no Irati antes de ir às Festas de San Fermín. A região ainda é celebrada por sua pesca de trutas e, no outono, pelas extraordinárias colheitas de cogumelos.
Alto de Mezkiriz, Alto de Erro e Zubiri: a ponte da cura da raiva (km 9–20)

A primeira subida do dia: de Espinal até o Alto de Mezkiriz (962 m), 1,7 km com gradiente médio de 4%. No cume está uma estela de pedra com uma Virgem e o Menino esculpidos. A inscrição é tirada quase diretamente do guia do século XII de Aymeric Picaud no Codex Calixtinus: ela pedia aos viajantes que rezassem por quem ajudava os peregrinos a cruzar os difíceis Pirineus e entrar «na terra dos navarros, rica em pão, leite e gado».
O Alto de Erro (km 16) é a subida mais difícil do dia — 120 m de ganho de altitude com gradientes médios de cerca de 5%. A descida do Erro é a mais tecnicamente exigente da etapa: rápida, com declive médio de 5% e superfície instável por aproximadamente 4 km. Se choveu, vá devagar.
Zubiri (km 20) significa exatamente o que seu nome diz: zubi (ponte) + iri (cidade) em basco — cidade da ponte. A ponte em questão é a Puente de la Rabia, uma estrutura medieval cruzando o Arga. Seu nome não é decorativo: uma antiga tradição sustentava que animais que sofriam de raiva podiam ser curados sendo conduzidos em volta do pilar central da ponte. Comerciantes de gado traziam seus animais aqui para esse fim; o ritual foi documentado e acreditado por séculos.
Larrasoaña: a Ponte dos Bandidos e o Foral dos Francos (km 27)

A Puente de los Bandidos — a Ponte dos Bandidos — leva seu nome dos ladrões que tornaram este local famoso. A ponte cruza entre duas margens íngremes; os peregrinos que chegavam da descida acima precisavam desmontar e estavam em sua posição mais vulnerável. Os bandidos exploravam esta geografia. Os administradores medievais do Caminho repetidamente emitiram regulamentos contra assaltos a mão armada em pontos específicos da rota.
Larrasoaña também é um bom exemplo do Foral dos Francos — uma série de leis emitidas no século XII, por autoridade real, que ofereciam isenções fiscais e proteções legais a estrangeiros que se instalassem ao longo do Caminho. A rua era o Caminho; o Caminho era a rua. Esta é a configuração que você verá em Larrasoaña e em todos os pueblos-calle daqui até Santiago.
De Larrasoaña a Pamplona: o parque fluvial e Miguel Induráin (km 27–48)

A partir de Zabaldika, a opção recomendada para ciclistas passa pelo Parque da Teixeria e entra em Huarte. Cruza a Puente de la Magdalena — declarada Monumento Histórico-Artístico, construída entre os séculos XII e XV — e entra na cidade velha de Pamplona pela sua porta medieval. Na estrada pela variante de Villaba, em Villaba (km 45), numa rotunda está uma escultura metálica de uma figura subindo um perfil de etapa de bicicleta — um monumento a Miguel Induráin, nascido aqui em 1964. Cinco títulos do Tour de France, dois Giros de Itália. A silhueta é inconfundível para quem acompanhou o ciclismo profissional nos anos 90.
Quando você chega: Pamplona

Pamplona é uma das três grandes cidades do Caminho Francês — ao lado de Burgos e León. Planeje pelo menos uma tarde inteira; um dia de descanso aqui não é desperdiçado.
Uma cidade de três bairros: 75.000 anos em uma tarde
O território sob Pamplona foi ocupado por pelo menos 75.000 anos. Os Romanos chegaram em 75 a.C. e estabeleceram Pompaelo. No século XI chegou a primeira onda de francos — comerciantes estrangeiros atraídos pelo comércio do Caminho. No século XII uma segunda onda de colonos navarros criou um terceiro bairro. Três bairros, cada um murado, cada um com suas próprias leis e identidade, e cada um periodicamente em guerra com os outros. Esta situação persistiu por mais de um século até o rei Carlos III — «o Nobre» — unificar os três em uma única entidade em 1423. A Ciudadela foi construída no século XVI como uma das melhores obras de arquitetura militar renascentista da Europa.
O passeio a pé (90 minutos)

Comece na Plaza Consistorial. Siga pela Calle Mercaderes e vire na Calle Estafeta — a esquina onde as duas ruas se encontram é um dos pontos mais fotografados do encierro, a corrida dos touros, porque é onde os animais fazem sua curva mais perigosa. Suba a Estafeta até a Plaza del Castillo. A praça era o ruedo original de touros antes de a praça permanente ser construída. Dois momentos das Festas de San Fermín pertencem especificamente a esta praça: o chupinazo em 6 de julho, o foguete lançado da sacada do Ayuntamiento que abre os nove dias de festival, e o pobre de mí em 14 de julho à meia-noite, quando a multidão se reúne com velas e canta «Pobre de mim, o festival de San Fermín terminou».
A catedral de Santa María la Real (séculos XIV–XV) tem no interior o que não pode ser perdido: o claustro — considerado um dos melhores claustros góticos da Europa, com traceria em pedra de extraordinária delicadeza. A catedral cobra taxa de entrada, com reduções para peregrinos com a credencial. Tire o carimbo aqui. Do Rincón del Caballo Blanco — um mirante acima das muralhas — você tem a melhor vista de Pamplona: o vale do Arga abaixo, a planície se estendendo em direção aos Pirineus.
Para o jantar, as ruas de Correo, Mercaderes e Zapatería ao redor da Plaza del Castillo concentram os melhores bares de pintxos da cidade. A tradição de pintxos de Pamplona está entre as melhores da Espanha. Peça um zurito com cada um — o termo navarrese para uma cerveja pequena.
Notas práticas para a Etapa 2
O caminho tradicional de Roncesvalles a Pamplona requer uma MTB ou gravel e é gerenciável em condições secas para um ciclista com habilidades técnicas razoáveis. As seções críticas são a descida do Alto de Mezkiriz (íngreme, superfície variável), a subida ao Alto de Erro (pedras soltas, média de 5%), e a descida do Erro (rápida, 4 km, superfície instável). Na chuva, estas ficam significativamente mais difíceis. A N135 é uma alternativa sensata ao longo de todo o percurso. Serviços estão disponíveis em todos os vilarejos significativos: Burguete, Espinal, Bizkarreta, Zubiri, Larrasoaña, Arre e Villaba. Zubiri é a última parada noturna confortável se quiser dividir a etapa.
Perguntas frequentes sobre a Etapa 2
Qual a distância da Etapa 2 de Roncesvalles a Pamplona de bicicleta?
48 km pelo caminho jacobeu tradicional; aproximadamente 43 km pela rota da estrada N135. O perfil tem duas subidas significativas — ao Alto de Mezkiriz (962 m) e ao Alto de Erro — com descidas tecnicamente exigentes na variante pelo caminho. Calcule 4–5 horas de pedalada em qualquer rota.
A Etapa 2 é mais difícil que a Etapa 1?
Fisicamente mais fácil — consideravelmente menos subida total e sem seção de alta montanha sustentada. Tecnicamente mais exigente na variante pelo caminho, porque as descidas são mais rápidas e em superfícies mais soltas que qualquer coisa na rota Napoléon. Na rota da estrada N135 é mais fácil que a Etapa 1 em todos os aspectos.
O que é a Puente de la Rabia?
Uma ponte medieval na entrada de Zubiri cruzando o rio Arga. Seu nome — Ponte da Raiva — refere-se à prática antiga de conduzir animais em volta do pilar central da ponte para curar ou prevenir a raiva. Comerciantes de gado traziam seus animais aqui para esse fim por séculos. A ponte tem dois grandes arcos semicirculares e quebra-icebergues proeminentes para desviar a força do rio.
O que são as Festas de San Fermín e quando acontecem?
O festival anual de Pamplona em honra do santo padroeiro da cidade, São Firmino. Acontece de 6 a 14 de julho. O festival abre em 6 de julho com o chupinazo — um foguete lançado do Ayuntamiento ao meio-dia — e fecha em 14 de julho à meia-noite com a canção do pobre de mí. O encierro — a corrida dos touros pelas ruas — acontece todos os dias às 8h00 durante os nove dias do festival. O percurso vai de Santo Domingo pela Calle Mercaderes, dobra a esquina para a Calle Estafeta e entra na Plaza de Toros.
Posso alugar uma bicicleta partindo de Roncesvalles?
Sim. A Tournride entrega sua bicicleta no seu alojamento em Roncesvalles na véspera da partida. Ao final do Caminho em Santiago de Compostela recolhemos no nosso escritório, a 5 minutos da catedral. O transporte de bagagem de Roncesvalles a Santiago também está disponível. Veja todos os modelos de bicicleta e verifique disponibilidade aqui.