Etapa 2: De Roncesvalles a Pamplona de bicicleta

Xavier Rodríguez Prieto

Dados técnicos da etapa

  • Distância até Santiago: 753 km
  • Distância da etapa: 48 km
  • Tempo estimado: 4-5 horas
  • Altitude mínima: 420 m
  • Altitude máxima: 962 m
  • Dificuldade: Média-Alta
  • Lugares de interesse: Bizkarreta, Zubiri, Villaba, Pamplona
  • Itinerário no Google Maps: Para ver o percurso no Google Maps clique aqui
Mapa Da Etapa De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta Pelo Caminho Francês

De Roncesvalles a Pamplona de bicicleta é a segunda etapa do Caminho Francês e, depois de uma primeira etapa muito exigente no plano físico mas com uma paisagem espetacular, começamos nosso segundo dia de pedal em uma etapa de perfil quebrado mas mais simples.

De Roncesvalles até Pamplona você vai atravessar florestas de faias, carvalhos e buxos; cruzar pontes medievais como a da Raiva ou a dos Bandidos e curtir o charme de vilarejos pitorescos como Zubiri ou Villaba. Fechamos o dia “pela porta grande”, como dizem os toureiros, entrando na primeira grande cidade da nossa peregrinação: Pamplona.

Vista Aérea De Pamplona Na Etapa Do Caminho Francês De Bicicleta
Vista aérea de Pamplona, com a Praça do Castelo no centro (foto cedida por Unai Pascual Loyarte no Flickr sob as seguintes condições)

Para ir de Roncesvalles a Pamplona de bicicleta você pode seguir praticamente todo o traçado original do Caminho, o mesmo que os peregrinos percorrem a pé. Claro, para fazer isso sem sustos é imprescindível ter uma mountain bike adequada para terreno complicado. Esta etapa não é tão exigente fisicamente quanto a anterior, mas tem um perfil bastante quebrado e, em vários trechos, o piso não é nada firme.

No geral, é mais complicada no nível técnico, embora o esforço físico seja menor que na etapa anterior. Se você não tem uma boa bike, não está acostumado a descer terreno pedregoso ou leva muito peso nos alforjes, sempre dá para desviar em alguns trechos e seguir pela estrada.

Você pode inclusive fazer a etapa inteira pela N135. Essa é uma área tradicionalmente percorrida por ciclistas e os motoristas estão acostumados a dividir a pista com bicicletas.

Embora a maioria dos peregrinos queira seguir o traçado original o máximo possível, se você achar que vai ficar mais confortável saindo dele em alguns pontos, aqui na Tournride a gente te anima a fazer isso. Como já dissemos, a ideia é transformar o Caminho numa experiência gratificante, ajustando as exigências ao seu ritmo e circunstâncias.

PERFIL E PRINCIPAIS ROTAS DA ETAPA

Agora explicamos de forma geral o perfil da etapa Roncesvalles-Pamplona. É para te dar uma ideia do que te espera neste segundo dia pedalando de Roncesvalles a Pamplona de bicicleta. 

Começamos atravessando os 2,7 km que separam nosso ponto de partida de Burguete, o vilarejo mais próximo. A descida é por uma ladeira suave que cruza a floresta do Vale do Arga e chega a Espinal, onde há um camping que pode servir de hospedagem. Dali, encaramos nossa primeira subida: vamos chegar ao Alto de Mezkiriz (960 m), vencendo uma inclinação média de 4% por 1,7 km.

Paisagem Verde Do Trecho Que Vai De Espinal Ao Alto De Mezkiriz
Paisagem de Espinal ao Alto de Mezkiriz (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Quando você chegar ao Alto de Mezkiriz, o caminho original cruza a N135. Se decidirmos continuar sem pegar a estrada, vamos encarar a primeira descida com dificuldade técnica. Desceremos uma ladeira bastante íngreme que termina num pequeno “degrau”, e logo depois chegamos a Bizkarreta. Dali nos espera a subida mais dura do dia, até o Alto de Erro. O desnível é de 120 metros. A inclinação média é de 5%, mas há trechos com degraus bem marcados. A rampa pode ficar complicada por causa das pedras soltas. No alto, o caminho cruza novamente a N135 e, se em algum ponto do traçado original você se sentiu inseguro, recomendamos pegar a estrada.

A descida do Alto de Erro é a ladeira mais difícil porque é muito rápida. Tem uma inclinação média de 5%, mas o terreno não é firme e há bastante degraus. Descendo por cerca de 4 km você chega a Zubiri, onde também há hospedagens.

De Zubiri faltam uns 20 km de etapa que vamos fazer sem perder de vista o rio Arga. O terreno varia conforme o trecho. Começamos com uma descida leve de 2% por uma trilha que muda de asfalto para cascalho ou terra até chegarmos a Larrasoaña primeiro e depois a Irotz. Passando Larrasoaña, em Akerreta, encontramos uma descida curta mas rápida que pede cautela.

Trilha Na Montanha Que Leva A Zubiri
Trilha para Zubiri (foto cedida por Malditofriki no Flickr sob as seguintes condições)

Depois de passar Irotz vamos chegar a Zabaldika, onde o caminho se divide em dois:

– Seguindo em frente pegamos o traçado original que, depois de uma subida inicial, nos leva por Arre e Villaba até terminar em Pamplona.

– À esquerda, cruzamos uma pista de cimento para um passeio muito bonito à beira-rio até Huarte e dali seguimos direto ao centro histórico de Pamplona.

A segunda opção é mais confortável para ciclistas, porque o terreno está melhor conservado e é um final de etapa tranquilo. Mas se escolhermos a opção tradicional, vamos passar por Villaba que, além de ser a cidade onde nasceu Miguel Induráin, é também um vilarejo muito bonito.

Resumindo, nesta etapa temos três opções de itinerário:

Passando Pela Ponte Na Entrada De Villaba De Bicicleta
Ponte na entrada de Villaba (foto cedida por Javier Mendía García no Flickr sob as seguintes condições)
  1. Seguir pelo traçado original, sabendo que vamos encontrar descidas rápidas e alguma ladeira íngreme. É o caminho que exige mais de você no plano físico e técnico, sobretudo porque o terreno não é muito firme.
  2. Fazer a etapa pela estrada seguindo a N135, que além de economizar 5 km de pedal nos leva por um perfil menos acidentado e sempre pelo asfalto.
  3. Intercalar o traçado original com a N135. Os dois itinerários se cruzam em todos os povoados da etapa e também no Alto de Mezkiriz e no Alto de Erro.
Paseo De Huarte Na Entrada De Pamplona Na Etapa De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta
Paseo de Huarte na entrada de Pamplona (foto cedida por Hans-Jakob Weinz no Flickr sob as seguintes condições)

Se você quer seguir o traçado original mas prefere evitar os pontos mais complicados, recomendamos que, depois de subir o Alto de Mezkiriz, pegue a N135 até Zubiri e ali retome a rota tradicional. Se chover, recomendamos escolher a segunda ou a terceira opção.

Sobre qual rota escolher a partir de Zabaldika para entrar em Pamplona: para ciclistas costuma ser preferível ir por Huarte. O passeio é bonito e muito menos acidentado. Mas se você é fã de Induráin, talvez queira homenageá-lo passando pelo vilarejo pitoresco que o viu nascer.

DICAS PRÁTICAS

  • Se você começa o Caminho em Roncesvalles e esta é sua primeira etapa, a gente te ajuda a chegar lá. O melhor é ir até Pamplona de trem, avião ou ônibus e, uma vez na cidade, escolher uma das opções seguintes.
  • Ir de ônibus. As passagens são compradas na bilheteria da própria estação e custam cerca de 6 € (mais outros 6 € por cada bicicleta).
  • Pegar um táxi. Se você pegar no centro de Pamplona, o preço médio é de cerca de 60 € até Roncesvalles (aos sábados e feriados custa 10 ou 15 € a mais). Você também pode usar o serviço de táxi compartilhado para peregrinos.
  • No albergue de Roncesvalles você pode reservar vaga antes de ir, mas precisa pagar antecipadamente com cartão de crédito ou transferência bancária. Toda a informação é enviada se você antes escrever um e-mail para info@alberguederoncesvalles.com
  • Embora a gente tenha avisado que o perfil desta etapa é irregular, não queremos te assustar. Dá para fazer perfeitamente com uma boa mountain bike. Só redobre o cuidado na descida do Alto de Erro e na rampa rápida entre Akerreta e Zuriáin.
  • A N135 facilita pegar a estrada a qualquer momento, mas também cria riscos: atenção aos cruzamentos e entroncamentos que exigem prudência para evitar acidentes.
  • Durante esta etapa você vai encontrar vários vilarejos e, com eles, lugares de hospedagem onde pode parar se estiver cansado. Passar por eles também facilita o abastecimento: há fontes suficientes para reabastecer água e lugares para comprar comida.

PATRIMÔNIO NATURAL, HISTÓRICO E CULTURAL E ITINERÁRIO DETALHADO

Nesta segunda etapa vamos atravessar dois vales: o Vale de Erro, entre os altos de Mezkiriz e Erro, e o Vale do Esteribar, entre Zubiri e Pamplona. A configuração do terreno e o clima da região fizeram com que toda essa área esteja povoada há muitos séculos. Na verdade, várias localidades por onde vamos passar são de fundação medieval e seu crescimento se deve ao Caminho de Santiago.

COMEÇAMOS EM RONCESVALLES COM UM DOS MISTÉRIOS DO CAMINHO…

Árvore No Vale De Erro, Início Do Trajeto De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta
Árvore no Vale de Erro (foto cedida por Jose Maria Miñarro no Flickr sob as seguintes condições, tendo sido modificada)

Já falamos sobre o que ver em Roncesvalles na etapa anterior, em um breve passeio. Pouco depois de sair da N135 vamos encontrar nosso primeiro ponto de interesse: a “Cruz dos Peregrinos”. Junto com a “Cruz de Ferro” de Leão, é a mais famosa do Caminho Francês e, embora se saiba por que está ali, ninguém sabe quem a fez nem quando.

Essa cruz está ligada a muitos personagens lendários e, apesar da simplicidade das suas formas, vários peregrinos param para deixar uma oferenda. A talha primitiva é gótica (por volta do S. XIV) e nela dá para ver Jesus crucificado na parte superior e a Virgem com o Menino na parte inferior. As outras duas figuras seriam as dos monarcas Sancho “o Forte” e Clemência, sua esposa.

Sabe-se quem colocou a cruz ali, porque existem documentos que explicam que em 1880 o prior de Roncesvalles, chamado Francisco Polit, mandou instalá-la aproveitando os restos de várias cruzes diferentes. A origem desses restos é o que gera controvérsia: alguns acreditam que haveria restos da Cruz de Roldán (S. XV) e outros que seria parte de uma talha dos tempos do próprio Carlos Magno (S. VIII). A verdade é que no Codex Calixtino se conta que Carlos Magno mandou instalar uma cruz no Alto de Ibañeta, nos Pirineus, e seus restos podem ter sido incorporados à que vemos hoje ao sair de Roncesvalles.

PRIMEIRA SUBIDA: DE BURGUETE AO ALTO DE MEZKIRIZ

Peregrinos No Caminho De Bicicleta Em Burguete
Peregrinos de bicicleta em Burguete (foto cedida por Juan Pablo Olmo no Flickr sob as seguintes condições)

Com esse mistério sem solução seguimos em frente e chegamos ao primeiro povoado: Burguete. O nome vem da sua origem como “boroupgh” (vilarejo) dependente do hospital de peregrinos de Roncesvalles. Como patrimônio destacado, vale ressaltar a igreja de San Nicolás de Bari. Embora a maior parte do que vemos hoje seja do S. XX, a fachada é barroca (S. XVII). Por dentro há um retábulo, também barroco, que merece uma parada para admirar.

Trilha Sem Pavimentação De Burguete A Espinal
Trilha de Burguete a Espinal (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Deixamos Burguete e seguimos até Espinal, um pequeno vilarejo-rua. Está cercado de uma paisagem tão bonita que até Ernest Hemingway se referiu a ele no livro “Fiesta”, de 1926. Caminhamos pela sua rua principal, com casas de varandas e mais de oito séculos de tradição jacobeia, e nela vemos a igreja de San Bartolomé, com seu telhado pontudo e janelas de sótão chamando atenção. A região costuma ser famosa pela pesca de truta no rio Irati, e por uma cozinha baseada em cogumelos (especialmente no outono).

Vilarejo De Espinal Em Meio À Paisagem Verde Em Um Dia Ensolarado
Vilarejo de Espinal em meio à paisagem verde (foto cedida por Alex Bikfalvi no Flickr sob as seguintes condições)

Saindo de Espinal a gente encara a subida ao Alto de Mezkiriz. Quando chegar ao topo, você vai encontrar uma estela de pedra. Nela há uma talha da Virgem com o Menino: é chamada Virgen de Roncesvalles. A inscrição pede para rezar uma salve à “rainha” que ajuda a passar a difícil etapa montanhosa dos Pirineus e permite entrar na “terra dos navarros, rica em pão, leite e gado”; como a descreve o monge Aymeric em seu “guia” do século XII.

DESÇA COM CUIDADO DO ALTO DE MEZKIRIZ A ZUBIRI

Estela Da Virgem No Alto De Mezkiriz
Estela da Virgem no Alto de Mezkiriz (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Descendo do Alto de Mezkiriz encontramos Ureta e logo chegamos a Bizkarreta. Esse povoado foi fundado no início do S. XII com o nome de “biscaretum” e foi muito importante porque tinha um grande hospital de peregrinos. Roncesvalles foi ofuscando o lugar com o passar do tempo e do seu hospital primitivo só restam alguns vestígios, que você vai ver ao lado do caminho.

Hoje, o principal ponto de interesse de Bizkarreta é a igreja de San Pedro. Da edificação inicial só sobrou a portada. É românica, muito simples. Seguindo as características do estilo, as paredes são grossas e a decoração bem sóbria. Nesse caso, o mais marcante são as três arquivoltas que emolduram o arco da porta principal. A maior parte dos demais elementos da igreja é posterior, do S. XVIII. 

Casa De Gado Em Linzoain No Caminho Para Pamplona
Casa de gado em Linzoain (foto cedida por Alex Bikfalvi sob as seguintes condições)

Antes da subida ao Alto de Erro passamos por Linzoáin. Esse pequeno vilarejo pitoresco tem como único monumento destacado outra igreja, a de San Saturnino, também românica e muito simples. Mas o que o faz especial é mais o ambiente tranquilo, às margens do rio Erro e com grandes casas de gado. Dá para respirar a calma do campo navarro.

Depois desse respiro de paz, chega a vez do Alto de Erro. No caminho vamos encontrar o monumento a um peregrino japonês que faleceu fazendo o Caminho. Depois da descida chegamos a Zubiri, a capital administrativa do Vale do Esteribar e o único núcleo industrializado, sobretudo pela sua grande planta de processamento de magnesita. O nome em basco significa “cidade da ponte”, de zubi (ponte) e iri (povoado), e é que a conhecida “Ponte da Raiva” é uma das suas grandes atrações.

DE ZUBIRI A ZABALDIKA POR LARRASOAÑA: A COISA É COM PONTES!

Se você está cansado, em Zubiri há vários albergues que podem servir de parada para você. Pode dormir em um deles e seguir no dia seguinte rumo a Pamplona, que fica pouco mais de 20 km. Se não quiser parar, para seguir o Caminho você não precisa entrar em Zubiri. Mesmo assim, aqui na Tournride recomendamos que você chegue até a entrada do vilarejo para ver a Ponte da Raiva.

Puente De La Rabia Em Zubiri Sobre O Rio, Cercada De Árvores Verdes
Puente de la Rabia em Zubiri (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Essa ponte medieval cruza o rio Arga. O nome vem de uma antiga tradição, pela qual os comerciantes faziam seus animais darem uma volta em torno do pilar central da ponte. Acreditava-se que essa coluna tinha um poder sobrenatural que evitava a raiva. A ponte sustenta a passagem sobre dois grandes arcos semicirculares e seus pilares têm um grande talha-mar que alivia a pressão da correnteza. Da ponte, dá para ver os grandes campos de cereal, o cultivo mais importante do vale.

Zubiri, nas suas origens, era constituída principalmente pela ponte e por uma rua que a unia à igreja de San Esteban e ao hospital de Santa Magdalena. Hoje a igreja é nova porque a original foi usada como quartel militar durante as Guerras Carlistas do século XIX e acabou destruída. O hospital ficava ao lado da ponte, mas também não foi possível preservá-lo.

Zubiri, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Zubiri (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Para continuar a rota voltamos sobre nossos passos desde Zubiri e, um quilômetro depois, encontramos de frente a empresa de magnesita. Contornamos pela estrada até chegarmos à saída da área industrial. Talvez você tenha que descer alguns degraus a pé, empurrando a bike. Um caminho de pedra leva a Illaratz, Ezkirotz (que no século X teve um mosteiro bastante importante) e termina em Larrasoaña.

A principal atração de Larrasoaña é a Ponte dos Bandidos. Igual à da Raiva, é medieval e cruza o rio Arga. Se chama assim porque, nesse lugar, os ladrões costumavam atacar os peregrinos. 

Peregrino Passando Pela Ponte Dos Bandidos Em Larrasoaña
Ponte dos Bandidos em Larrasoaña (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Para continuar até Akerreta não entre em Larrasoaña, mas mais uma vez te incentivamos a desviar algumas centenas de metros para ver a ponte. Além disso, Larrasoaña tem muita tradição jacobeia, sendo um exemplo de desenvolvimento graças ao Caminho de Santiago. No século XII recebeu o chamado “fuero de los Francos”, uma série de leis de isenção fiscal para incentivar os estrangeiros que faziam a peregrinação a se estabelecerem à beira do Caminho. Esses tipos de povoados sempre acabam com a mesma configuração: uma grande rua central por onde passa o Caminho, ladeada por outras construções. Vale lembrar que todos os estrangeiros que faziam o Caminho eram chamados de “francos” por entrarem pela França, não porque fossem franceses.

Depois de uma subida curta, chegamos a Akerreta e dali atravessamos uma floresta densa por uma trilha estreita que segue ao lado do rio Arga. Assim chegamos a Zuriáin. Nesse ponto você tem que pegar a estrada por um pouco e depois pode decidir se vira à esquerda para pegar uma trilha de grama e passar por Iroz ou se segue reto até Zabaldika. Iroz não tem nada notável no plano artístico, mas o traçado original passa por lá.

TODOS OS CAMINHOS LEVAM A PAMPLONA: A DECISÃO DE ZABALDIKA

Zabaldika é o ponto em que a rota se divide, perto de uma área de descanso.

Se pegarmos à esquerda em direção a Huarte, vamos passar por um primeiro trecho de estrada e trilha e depois pegamos um passeio bonito à beira-rio pelo Parque da Tejeria. Depois de cruzar a Ponte da Magdalena vamos entrar em Pamplona. 

Ponte Da Magdalena, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Puente de la Magdalena, na entrada de Pamplona (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Essa ponte foi declarada Bem de Interesse Cultural e Monumento Histórico-Artístico. Foi construída entre os séculos XII e XV e seu nome vem do bairro em que está localizada: o Barrio de la Magdalena. Numa das margens há um elaborado cruzeiro com a imagem do apóstolo. Seguindo pelo caminho chegamos às muralhas de Pamplona. O perfil do trajeto é bastante plano e o itinerário é um pouco mais longo que o do traçado original.

Se, ao contrário, escolhermos seguir em frente, vamos pegar a rota histórica que passa por Arre e Villaba. Começamos subindo uma pequena ladeira que leva a uma antiga casa senhorial, hoje em ruínas. Continuando pela trilha e por um pedaço de grama, encontramos uma via de contorno. Dá para evitá-la passando por um túnel subterrâneo.

Assim chegamos a Arre, onde outra ponte permite entrar no vilarejo. É uma ponte medieval de 55 metros, maior que as anteriores, que cruza o rio Ulzama e leva ao convento da Trindade. O rio Ulzama desagua no rio Arga e tem 9 pontes medievais que o cruzam. Essa ponte leva direto a um complexo de albergue e basílica para peregrinos, que antigamente era um hospital de peregrinos do S. XI. No interior da igreja, dedicada à Santíssima Trindade, há um retábulo neo-românico do S. XIX. Tudo é administrado por uma confraria e pela Ordem dos Maristas.

Trinidad De Arre, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Trinidad de Arre (foto cedida por José Antonio Gil no Flickr sob as seguintes condições)

Villaba foi fundada no século XII por mandato real. A proximidade com Pamplona e a melhoria das comunicações ao longo do século XX com a construção de uma ferrovia elétrica a ligaram à expansão urbana de Pamplona. Sua rua principal é a rua do caminho jacobeu. Em uma rotatória foi instalada uma escultura em honra a Miguel Induráin, que nasceu nessa cidade em 1964. A obra é a silhueta metálica do ciclista subindo a reta de um perfil de etapa inclinada.

E, PARA FECHAR… PAMPLONA!

Saímos de Villaba e chegamos ao final da etapa: Pamplona. Conhecida mundialmente pelos Sanfermines, é uma cidade que tem muito a oferecer. Depois de carimbar a credencial e descansar no albergue, não dá para perder a oportunidade de visitar e experimentar alguns dos deliciosos “pintxos” locais.

UM PASSEIO POR PAMPLONA

Na Tournride a gente quer que você aproveite ao máximo sua peregrinação. Como sabemos que às vezes é difícil chegar às cidades e ter tempo de descobrir o que ver por ali, decidimos propor um passeio para cada final de etapa.

Em Pamplona, uma das maiores cidades em que vamos parar rumo a Santiago, há muito para ver e fazer. Desenhamos um passeio de 50 minutos que marcamos neste mapa e que visita tudo o que é relevante na cidade. Se achar muito longo, sugerimos não chegar até a Cidadela e ficar mais perto da zona monumental.

Para começar, um pouco de História…

Pamplona é povoada há milhares de anos. Na verdade, foram encontrados utensílios e menires debaixo do solo da cidade que datam de mais de 75 000 anos atrás! Esse território carregado de História esteve condicionado, sobretudo desde o século IX, por três fatores principais:

Vista De Pamplona A Partir Do Monte Ezkaba
Pamplona vista do monte Ezkaba
  • Os diferentes “fueros” (leis ou ordenações específicas) que a cidade teve e que deram muito poder ao clero frente ao poder civil.
  • A sua condição de ponto de acolhida para imigrantes ou “francos” que criaram seus próprios bairros desde o século XI.
  • A sua posição estratégica numa altura próxima da fronteira com a França. A partir do momento em que Pamplona passa a integrar a Coroa de Castela no século XV, será uma peça importante de defesa em todas as guerras que virão com o país vizinho.

Na verdade, o que conhecemos hoje como Pamplona é a união de três boroughs ou cidades diferentes. O primeiro núcleo, que hoje corresponderia à zona da catedral (a parte mais alta da cidade), esteve povoado séculos antes da chegada dos romanos, em 75 a.C. Seus habitantes eram os “vascões”. Quando os romanos viram a posição daquele núcleo, elevado sobre um vale e cercado pelo rio Arga, o conquistaram e o transformaram em um ponto estratégico do império. Urbanizaram-no e usaram-no como nó de comunicação entre a Península e a Europa.

Vista Aérea De Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês

Com a queda do império chegam os visigodos e, depois, os muçulmanos. Na guerra para expulsar o conquistador árabe, o clero ajuda de forma decisiva. Como agradecimento, o rei decide dar poderes especiais à igreja da cidade e lhe concede uma condição de autogoverno privado. Nasce o “Reino de Pamplona”, governado por uma jurisdição em que o bispo é o senhor da cidade e a catedral, seu centro nervoso.

Embora esse núcleo siga sendo muito importante, no século XI chegam ao território os “francos”, imigrantes que criam um povoado ao lado e se dedicam ao comércio. No século XII chega outra onda de imigrantes chamados “navarros” que também criam sua própria cidade: a “navarrería”.

Centro Histórico De Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês

Nos séculos seguintes, cada borough é amuralhado e criam-se tensões entre eles, deflagrando brigas que só terminam quando o rei Carlos III os unifica em uma única entidade no ano de 1423.

Nesse momento pode-se dizer que surge Pamplona como a entendemos hoje. No S. XVI passa a ser da Coroa de Castela. Como a cidade está muito perto da fronteira francesa e durante esse século há vários choques entre as duas coroas, Pamplona precisa ser fortificada. É construída a Cidadela, um dos melhores exemplos de arquitetura militar renascentista na Europa. Hoje está muito bem preservada e dentro dela há um grande parque que vale a pena visitar.

Cidadela De Pamplona
Muralha da Cidadela (foto cedida por Isumelzo no Flickr sob as seguintes condições)

Assim chegamos ao S. XVIII. O papel da Igreja e a posição militar e comercial estratégica criaram uma composição social curiosa. Embora o normal fosse que a maioria da população fosse de agricultores ou artesãos, em Pamplona havia uma alta porcentagem de alto clero e aristocracia; o que a tornava uma cidade muito tradicional. Por isso, nesse século decidiu-se “modernizar” a cidade: ela é urbanizada, recebe serviços como esgoto municipal e os principais edifícios são remodelados. Por exemplo, a fachada da catedral foi reformada nesse século, por isso é neoclássica.

Todo esse processo é interrompido quando, no século XIX, Napoleão conquista a cidade. Depois da Guerra da Independência, que liberta a península do invasor francês, acontece uma luta pelo poder entre liberais e carlistas. Os liberais defendiam a criação de um governo central que controlasse todo o território espanhol sem distinções, enquanto os carlistas eram mais tradicionais e queriam manter o regime de fueros especiais de Navarra.

Monumento Aos Fueros Em Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Monumento aos Fueros (foto cedida por Mario Sánchez Prada no Flickr sob as seguintes condições)

Em Pamplona, a negociação entre os dois lados para a constituição de um governo acabou fazendo com que a cidade em particular, e Navarra em geral, tivessem condições especiais de autogoverno em alguns aspectos. Aliás, no fim do século XIX tentou-se abolir esses privilégios, mas uma grande manifestação social o impediu. Em honra a esse episódio foi erguido o Monumento aos Fueros no Paseo de Sarasate.

Daquele momento até hoje, a cidade não parou de crescer. Várias expansões são construídas e muitas das muralhas que, como herança daquela divisão em três boroughs, continuavam separando os bairros, acabam sendo derrubadas.
Hoje é uma cidade muito moderna, com grandes extensões de áreas verdes e muita vida cultural. Você topa conhecê-la?

Um dia em Pamplona: como verdadeiros “pamploneses”

Na Tournride sugerimos um passeio de um dia por Pamplona para você ter uma ideia geral do lugar, porque sabemos que você provavelmente vai continuar pedalando rumo a Santiago no dia seguinte. De qualquer forma, Pamplona é uma das principais paradas do Caminho Francês e, se puder, não se arrependa de estender a parada e dedicar alguns dias a essa cidade linda. A gente te dá planos adicionais para isso logo abaixo.

Se você chega antes do almoço, dá para recuperar as forças comendo em um dos lugares que oferecem menu do dia (com uma relação custo-benefício impressionante) perto da prefeitura. Depois, começamos a tarde percorrendo alguns dos lugares mais conhecidos de Pamplona, parte do roteiro dos Sanfermines.

Monumento Em Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Monumento aos Sanfermines em Pamplona

Da Plaza Consistorial saímos pela rua Mercaderes e dali dobramos para a rua pedestre Estafeta. O cruzamento das duas ruas é um dos pontos mais míticos do encierro. Já na Estafeta, vamos ver no meio da rua umas escadinhas à direita. Subindo, deixamos o trajeto que os touros fazem e a grande Plaza del Castillo se abre diante de nós.

Prefeitura De Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Plaza Consistorial de Pamplona (foto cedida por Total13 no Flickr sob as seguintes condições)

Essa praça é bem conhecida porque nela acontecem dois dos momentos mais importantes dos Sanfermines. Dela sai o “chupinazo”, que dá início às festas no dia 6 de julho e, nela também é cantado o “pobre de mí”, que encerra as celebrações. Às 12h do dia 14 de julho uma multidão se reúne na praça e canta, segurando uma vela, uma canção que diz “pobre de mí, pobre de mí; que se han acabado las fiestas de San Fermín“.

Plaza Del Castillo Em Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Plaza del Castillo em Pamplona (foto cedida por Batto no Flickr sob as seguintes condições)

Esse lugar é o centro nervoso da cidade. Antigamente havia um castelo ali perto, daí o nome. Antes das praças de touros, as corridas aconteciam nesta praça, como em muitas outras cidades da Espanha que não tinham arena. Era cercada com um “curro” de madeira e o piso era coberto de areia. Hoje tem espaços ajardinados e muitos cafés nos seus arcos.

De uma das esquinas da praça dá para ver o Paseo de Sarasate. Ali está a Igreja de San Nicolás, uma das maiores entre tantas que enfeitam a cidade. Antigamente, San Nicolás era um dos três burgos que formavam Pamplona. A igreja que vemos hoje tem aspecto de fortaleza por fora porque foi pensada também como lugar defensivo, dadas as muitas disputas que ocorriam com os outros dois burgos. Aliás, a torre é, na verdade, uma torre de vigia.

Igreja De San Nicolás Em Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Fotografia antiga da Igreja de San Nicolás (cedida por Batto no Flickr sob as seguintes condições)

Esse aspecto de fortaleza por fora contrasta com o interior: uma bela cúpula gótica com talhas muito finas, espetaculares pela altura. Recomendamos também parar para admirar o coro. É barroco e é o mais importante da cidade.

Seguimos pelo Paseo de Sarasate até o final e viramos à direita para pegar a Taconera. Ali está o Parque da Taconera, um dos lugares verdes mais especiais de Pamplona. No antigo fosso da muralha você vai ver bichos: veados, patos, pavões… todos vivem em semiliberdade, cercados por um belo parque com diferentes espécies de árvores. Um verdadeiro oásis de paz. Na verdade, se você não quiser almoçar em uma casa de comida, na Tournride a gente recomenda que se sente em um dos bancos ou na sua grama fofa, à sombra de uma árvore, para um piquenique. Depois, dá para tomar um café no Café Vienés, um ponto de encontro boêmio e tranquilo dos intelectuais de Pamplona.

Cidadela De Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Foto aérea de parte da Cidadela (foto cedida pela Prefeitura de Pamplona).

Saindo da Taconera chegamos à Cidadela. Essa antiga fortificação militar hoje é um parque de 280 000 metros quadrados cheio de atrações: esculturas, pavilhões de exposição, mais de 30 espécies de árvores, área infantil completa… É importante saber que a entrada é proibida com qualquer tipo de veículo (incluindo bicicletas) e que só abre durante o dia.

Projetada no Renascimento, período em que a Itália vivia um grande momento cultural e intelectual, a fortificação foi desenhada por um engenheiro militar do país vizinho: Giacomo Palearo. Também fez outra parecida em Antuérpia. Tinha 5 baluartes que davam ao conjunto uma forma parecida com a de uma estrela, mas dois já não existem. Era cercada por fossos, hoje transformados em áreas verdes, onde havia pontes levadiças.

Mirante Do Caballo Blanco Em Pamplona
Mirante do Caballo Blanco em Pamplona

Voltando sobre nossos passos, deixamos à esquerda a Taconera e descemos pela Calle Mayor, onde, ao chegar, vamos ver a Igreja de San Lorenzo. Ali está a Capela de San Fermín, padroeiro da cidade. A festa em sua honra virou, na Idade Média, uma “feira franca”, ou seja, uma feira de comerciantes com isenções fiscais. Como parte do que era vendido vinha do gado, começaram as corridas de touros e os encierros. Passou a ser a festa do padroeiro e, desde 1950, vem ficando cada vez mais famosa, até se transformar na festa internacional que é hoje.

Continuamos pela Calle Mayor e voltamos para a praça da prefeitura. Retomando a rua Mercaderes, seguimos em frente e vamos direto à Catedral onde, se ainda não tiver feito, você pode carimbar a credencial.

Catedral De Santa María La Real Em Pamplona, De Roncesvalles A Pamplona De Bicicleta, Caminho Francês
Portada de Santa María la Real

A Catedral de Santa María la Real foi construída, em grande parte, nos séculos XIV e XV. Antes havia outra igreja, mas ela foi derrubada para erguer esse templo grande e sóbrio, com grandes janelas ogivais (arcos apontados). Mas o que realmente não dá para deixar de visitar é o claustro. É um dos melhores exemplos do gótico na Europa e seus arcos de pedra, com traços muito finos e maravilhosos, encantam qualquer um. A catedral tem horário e é preciso pagar para entrar, mas há descontos para peregrinos. Para conferir esses dados, acesse a página da Catedral. 

Saindo da Catedral, pegamos a rua da Navarrería, antigo borough dos imigrantes navarros, e no final viramos à direita pela rua Del Carmen. No final, no Portal de Francia, viramos novamente à direita e chegamos ao Mirante do Caballo Blanco. Daqui temos uma vista incrível da parte baixa da cidade e é o lugar perfeito para encerrar um dia cheio de descobertas. Há vários bares e restaurantes com terraços onde a gente pode tomar uma bebida ou comer alguma coisa.

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Se não encontrarmos lugar ou não quisermos encerrar ali, dá para descer de novo ao centro histórico. Nas ruas Estafeta, Mercaderes e Zapatería, em torno da Plaza del Castillo, você pode experimentar os famosos “pintxos da cidade. Alta gastronomia a um preço bem razoável. Se quiser provar diferentes pintxos em bares diferentes sem beber muito, peça um “zurito” em cada um. Seria o equivalente a pedir uma “caña corta” (um chope pequeno) em Navarra.

Esse percurso, é claro, soma bem mais tempo, sempre que a gente queira dedicar a cada lugar só os 50 minutos de caminhada. Um passeio carregado de história, áreas verdes e boa gastronomia. ENTÃO, desça da bike e vá caminhar!

ALGUNS DIAS EM PAMPLONA: O QUE MAIS VER E FAZER?

Claro, o passeio que propomos na seção anterior pode ser dividido e feito com mais calma. Mas, além do que já descrevemos, listamos aqui algumas outras atrações que a cidade tem:

  • Conhecer um pouco mais da tradição taurina visitando outros lugares míticos da cidade: a praça de touros, construída no início do S. XX e que é a quarta maior do mundo, ou o monumento ao encierro. É uma enorme escultura de bronze que representa com perfeição o movimento e a dinâmica de um encierro, uma obra de arte. Está na Avenida Roncesvalles, esquina com o Paseo Carlos III.
  • Ver grandes coleções de arte. Na cidade há dois museus importantes:
  1. O Museu de Navarra. De esculturas da fachada da antiga Catedral até quadros de Goya, tudo reunido debaixo do mesmo teto. Mais informações, tarifas e horários aqui.
  2. O Museu da Universidade de Navarra. O edifício moderno abriga uma bela coleção de arte contemporânea, formada a partir do legado de um colecionador privado com mais de 100 obras de artistas como Picasso, Chillida, Rothko ou Kandinsky. Vem sendo ampliada com outras coleções cedidas ou privadas. Se você gosta de arte, vai encontrar ali um espaço em que vai se sentir em casa.
  • Percorrer a parte amuralhada da cidade que ainda falta visitar. Pamplona é um belo exemplo de cidade fortificada e o cuidado com que está preservada permite longas caminhadas. Se quiser saber um pouco mais sobre esse tema, pode visitar o Fortim de San Bartolomé, um antigo forte que hoje abriga o Centro de Interpretação das Fortificações de Pamplona. É um espaço informativo com abordagem bem didática, e não um simples guia. Mais informações no site.
  • Curtir algum espetáculo cultural. Pamplona tem muita vida cultural: se você curte música ou artes cênicas, com certeza encontra algo sob medida. Dá para consultar a agenda cultural no site da Prefeitura de Pamplona.

Além de todos esses planos, na Tournride a gente recomenda simplesmente o seguinte: curtir a alta qualidade da gastronomia de Navarra e relaxar nos muitos cantos tranquilos de Pamplona. Ainda há muito Caminho pela frente até Santiago — você merece!