Etapa 1: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles de bicicleta
Xavier Rodríguez PrietoDados técnicos da etapa
- Distância até Santiago: 765 km
- Distância da etapa: 26 km pela Rota dos Portos de Cize / 28 km pela Rota de Valcarlos
- Tempo estimado: 4-5 horas
- Altitude mínima: 233 m em Saint-Jean-Pied-de-Port
- Altitude máxima: 1480 m no Alto de Lepoeder pela Rota dos Portos de Cize / 1057 m no Alto de Ibañeta pela Rota de Valcarlos
- Dificuldade: Alta / Muito alta
- Lugares de interesse: Saint-Jean-Pied-de-Port, Alto de Ibañeta, Roncesvalles
- Itinerário no Google Maps: Para ver a rota no Google Maps clique aqui

Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles é a primeira e possivelmente a mais dura etapa do Caminho Francês de bicicleta, mas como recompensa oferece uma das paisagens mais espetaculares de toda a rota. Cruzaremos os Pirineus desde Saint-Jean-Pied-de-Port até Roncesvalles, um cenário extraordinário cheio de história em uma etapa na qual vamos superar cerca de 1250 metros de desnível.
PERFIL E PRINCIPAIS ROTAS DA ETAPA

Nesta etapa temos duas opções de itinerário:
- Seguir a rota tradicional que os peregrinos a pé percorrem, chamada “Rota dos Portos de Cize” ou “Rota de Napoleão”.
- Saltar essa rota e seguir pela estrada, pela D933 e a N135. Essa rota é conhecida como “Rota de Valcarlos” por passar por essa localidade.
Os fatores a considerar para escolher uma ou outra rota são, principalmente, o tempo meteorológico, sua condição física e o mês do ano em que se peregrina.
Pelos acidentes de montanha que alguns peregrinos sofreram durante o inverno ao cruzar a rota tradicional por desinformação ou por excesso de confiança, o trânsito pela Rota dos Portos de Cize entre 1 de novembro e 31 de março está proibido. Se peregrinarmos durante esses meses, devemos obrigatoriamente fazê-lo pela rota da estrada.
Se você escolher a Rota dos Portos de Cize…
Apesar da sua dificuldade, a Rota dos Portos de Cize é a mais espetacular e o esforço realmente vale a pena. Se você está em plena forma física, é capaz de enfrentar essa trilha. Tenha em conta que em alguns pontos vai precisar descer da bicicleta e empurrar, mas é mais questão de paciência do que de lutar contra o cansaço. Nesse trecho se sente muito mais o peso dos alforjes: quando subimos algumas rampas com mais de dez quilos, se nota.
Mesmo nos meses permitidos, se o tempo estiver ruim — seja porque chove ou neva, seja porque há muito vento ou nebulosidade — não pegue essa rota tradicional. Pode ser muito perigosa com mau tempo: a chuva encharca o solo, e com vento forte o esforço na subida se multiplica. Se estiver muito nublado, não teremos recompensa em vistas e paisagens, então não faz muito sentido ir pelos Portos de Cize.
Se você escolher a Rota de Valcarlos…
A rota pela estrada é menos espetacular, mas necessária em caso de mau tempo e mais fácil. Se sua forma física não é tão boa, pode ser uma ótima opção. A rota segue o traçado da estrada nacional D933 até Arnéguy, onde cruza a fronteira com a França e entra na Espanha pela N135. Passa por Valcarlos e continua até o mítico Alto de Ibañeta (1057 m).
O perfil geral da etapa pela Rota dos Portos de Cize é bastante acidentado. Como mencionamos, são quase 1250 metros de subida. Ainda assim, o principal desnível se encontra pouco depois de sair de Saint-Jean, onde se sobe uma rampa de quase 13% por mais de 4 quilômetros. Embora seja quase no início do percurso, não hesite em descer da bicicleta se necessário, senão pode se esgotar e ter problemas para enfrentar o restante do caminho.
Lembre-se também: fazer o caminho em bicicletas elétricas é sempre uma excelente opção e pode te ajudar em momentos como esses. Ao chegar ao mirante de Arbola Azpian, a rampa fica mais suave e assim continuará até a cota máxima da etapa, no Alto de Lepoeder (1480 m). A partir desse momento começaremos uma descida até Roncesvalles que se aproveita muito, embora seja preciso estar atento e não relaxar, pois também exige alguma dificuldade técnica.
Por outro lado, o perfil da etapa pela Rota de Valcarlos é mais suave que o da rota tradicional; no total, supera uma diferença de menos de 900 metros. Saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port pegamos a D933 e, nos primeiros oito quilômetros, o desnível a superar será de apenas cerca de 200 metros. Chegando a Arnéguy, onde cruzamos a fronteira franco-espanhola, a D933 passa a ser a N135 e a rampa vai ficando progressivamente mais íngreme à medida que nos aproximamos do Alto de Ibañeta, o ponto mais alto desse itinerário.
A rampa geral desse trecho será de cerca de 6%. Nessa rota é preciso ter cuidado com o tráfego de carros e caminhões. É uma estrada geral e devemos sempre tomar as precauções necessárias, usando colete refletor e luzes se for preciso.
Variantes da rota
Uma terceira opção é combinar as duas rotas. Podemos fazer a Rota dos Portos de Cize e, ao chegar ao Collado Lepoeder, pegar um desvio que nos leva direto ao Alto de Ibañeta, onde continuamos pela N135 até Roncesvalles.
Se você é um ciclista experiente e, ao chegar a Roncesvalles, ainda se sente com forças ou não encontra lugar para dormir, pode continuar até Zubiri. São cerca de 22 km a mais, mas quase tudo em descida e por uma estrada relativamente tranquila. Se não houver vaga em Roncesvalles mas não se vê chegando a Zubiri, existem lugares intermediários onde pernoitar, como o camping em Burguete (a apenas 3 km de Roncesvalles).
DICAS PRÁTICAS

Na Tournride queremos facilitar o início da sua jornada. Por isso reunimos aqui algumas dicas e informações úteis para esta primeira etapa:
Durante a Rota dos Portos de Cize é preciso atenção ao cruzar a fronteira com a Espanha.
De Saint-Jean-Pied-de-Port podemos seguir pela estrada secundária D428 mas, ao chegar a esse ponto, devemos abandoná-la e percorrer um pouco menos de dois quilômetros por uma trilha de grama. O desvio é indicado por uma placa de madeira que aponta à direita, junto à estrada. Na grama, alguns metros adiante, há uma cruz de madeira cercada com flores e oferendas ao redor que pode servir de referência. Chama-se Cruz de Thibault.
Já na Espanha, o governo de Navarra melhorou muito a sinalização instalando uma série de marcos numerados que servem como boa referência para não termos dúvida de que estamos no caminho certo.
Como chegar a Saint-Jean-Pied-de-Port:
- Pegar um ônibus de Pamplona a Saint-Jean-Pied-de-Port. Não há serviço o ano todo, normalmente só até outubro. Confirme sempre antes de sair na página da Alsa. Preço médio entre 20-22 €, com duas a quatro saídas diárias dependendo do mês.
- Pegar um ônibus de Pamplona a Roncesvalles (Alsa ou Conda pela página da Movelia). Ao chegar a Roncesvalles é comum encontrar peregrinos com quem dividir um táxi até Saint-Jean — costumam esperar na parada do ônibus.
- Chegar a qualquer cidade próxima na França ou na Espanha e dali procurar em páginas como BlaBlaCar ou em fóruns do Caminho de Santiago para chegar a Saint-Jean.
- Se você começa o caminho em Saint-Jean, lembre-se de que na Tournride temos serviço de transporte de bagagem no início e entrega no final, além de entrega de bicicletas. Ao chegar a Santiago de Compostela, sua bagagem estará esperando no seu hotel ou no nosso escritório, onde também recolhemos a bicicleta.
- Avisamos que em Roncesvalles não há caixas eletrônicos, embora em Saint-Jean haja vários. Como em Saint-Jean pode haver cobranças extras ao sacar dinheiro do exterior, recomendamos levar o valor necessário para gastar a noite em Saint-Jean e a seguinte em Roncesvalles. O primeiro caixa que você encontrará será depois de Roncesvalles, em Burguete.
O QUE VOU ENCONTRAR NESTA ETAPA? PATRIMÔNIO NATURAL E HISTÓRICO-ARTÍSTICO

Como já mencionamos, o Caminho Francês é uma história viva e em transformação permanente, uma grande história milenar esculpida em pedra. Durante o trajeto você se impressionará com seus grandes edifícios medievais e modernos.
Mas nesta primeira etapa teremos a oportunidade de nos mergulharmos em paisagens naturais tão imensas que nos farão esquecer, ao menos por um dia, das grandes conquistas da Humanidade e nos lembrarão da grandeza da natureza.
Os Pirineus: natureza, mitologia e fronteira histórica
Vamos cruzar os Pirineus, uma cordilheira de 415 quilômetros de extensão que separa naturalmente a França e a Espanha. Os nomes de alguns dos seus picos de mais de 3000 metros nos lembram sua magnificência e também sua periculosidade: Monte Perdido ou Pico Maldito quase perdem o título de mais alto para o Aneto (3404 m de altitude).

Todas as explicações etimológicas sobre a denominação “Pirineus” vêm da Antiguidade. Para alguns, o nome da cordilheira foi dado em memória da trágica história de amor de Pirene, uma jovem que se apaixonou por Hércules.
Conta a lenda que ele a deixou nessa região e ela, louca de amor, começou a persegui-lo, mas animais selvagens a devoraram. Quando Hércules ouviu seus gritos e voltou para tentar ajudá-la, era tarde demais. Angustiado e culpado, construiu um grande mausoléu empilhando pedras, formando a enorme cordilheira que hoje chamamos de Pirineus.

Outras explicações relacionam a palavra “Pirineus” a pyros, “fogo” em grego. Historiadores gregos como Estrabão falam de um fogo tão colossal que chegou a derreter as minas subterrâneas de ouro e prata, causado pela queima de matas por alguns pastores. Também poderia referir-se a outra história mitológica de Pirene.
Essa lenda diz que ela deu à luz uma serpente pouco antes de morrer e que, ao colocar seu corpo em uma pira, criou um fogo tão monumental que fez com que quem o visse chamasse essas montanhas ardentes de “Pirineus”.
Os Pirineus foram desde a Antiguidade uma fronteira natural muito importante que influenciou o avanço ou o recuo de conquistas e civilizações. A rota que os peregrinos seguem hoje, que chamamos Rota dos Portos de Cize, baseia-se no que foi uma estrada romana: a Via Trajana, que ligava Astorga a Bordeaux.

O mesmo caminho foi utilizado pelos árabes quando, no século VIII, após conquistarem a Península Ibérica, cruzaram os Pirineus para tentar fazer o mesmo com o resto da Europa. Após perderem para Carlos Martel na Batalha de Poitiers em 732, tiveram que recuar e os Pirineus serviram como fronteira natural entre os dois lados. Carlos Magno estabeleceu ali a “Marca Hispânica”, a fronteira do seu império com o Islã.
A mesma velha Via Trajana foi a que o clérigo Aymeric Picaud percorreu no século XII quando escreveu seu “guia” do Caminho de Santiago, recolhido hoje no Códex Calixtino. Também Napoleão a cruzou no século XIX quando tentou conquistar a Espanha, o que deflagrou a Guerra da Independência, retratada por Goya em seu famoso quadro Os Fuzilamentos de 3 de Maio.
Saímos de Saint-Jean visitando seus principais monumentos
E que monumentos podemos encontrar hoje ao percorrer esses caminhos carregados de história? Comecemos pelo início da nossa etapa: Saint-Jean-Pied-de-Port, assim chamada por estar “ao pé do porto” da montanha. Essa pequena vila foi fundada na Idade Média e hoje, combinando sua localização montanhosa e sua antiguidade, torna-se um lugar pitoresco para começar a jornada. Estima-se que 1 em cada 4 peregrinos que chegam a Santiago saíram ou passaram por lá.
Suas ruas principais são duas: a Rue d’Espagne e a Rue de la Citadelle. A vila é dividida pelo rio Nive e a Rue d’Espagne liga essas duas partes por uma ponte. Na margem norte está a igreja da Assunção, também conhecida como Igreja Notre-Dame du Bout du Pont, assim batizada justamente por estar no “fim da ponte”.
A igreja, de pedra vermelha, tem aparência de fortaleza e é medieval. Embora seja de estilo gótico, sua fachada é bastante compacta e carente de ornamentação, mas no interior destacam-se a finura das suas abóbadas e os cristais obsidianos que remetem à chamada “arquitetura gótica luminosa”.
Na parte norte da Rue de la Citadelle está a Porta de Santiago, declarada Patrimônio Mundial em 1998 junto com as rotas do Caminho Francês. A vila é murada e tem várias portas, mas essa é a famosa porque desde o século XI todos os peregrinos da Europa que escolhiam a rota por Saint-Jean entravam na Espanha por ali. Se subirmos toda a Rue de la Citadelle chegaremos à Cidadela de Mendiguren, uma antiga fortificação do século XVII com vista de tirar o fôlego dos arredores.
O que você pode ver na Rota dos Portos de Cize…
Se pegarmos a rota tradicional dos Portos de Cize, ao longo do caminho encontraremos três pontos-chave. Primeiro, no quilômetro 11,3 à nossa esquerda veremos a Virgem de Biakorri. É a protetora dos pastores, a quem os milhares de peregrinos que passam por ali deixam oferendas. A partir dali há boas vistas, então se você quiser descansar um pouco pode ser um bom momento para sentar e recuperar forças admirando a paisagem.
Seguindo o caminho, no quilômetro 16,5 você encontrará a Fonte de Roldán. Roldán é um mítico comandante do exército de Carlos Magno que, segundo os textos carolíngios e as canções de gesta, morreu lutando contra os bascos em uma batalha ocorrida perto de Roncesvalles entre os séculos VIII e IX.
No quilômetro 21,6 chegamos ao ponto mais alto da etapa, no Collado Lepoeder. Daqui podemos continuar descendo por essa rota com uma rampa íngreme e vistas impressionantes até chegar a Roncesvalles, ou desviar até o Alto de Ibañeta (km 24,1).
Em Ibañeta veremos uma capela com telhados angulares construída nos anos 60. Foi feita em memória do que antes fazia parte de um antigo mosteiro, no qual havia um sino que se tocava para que os peregrinos medievais não se perdessem. Dali só falta pouco da etapa: em menos de dois quilômetros de descida chegamos a Roncesvalles.
O que você pode ver na Rota de Valcarlos
Se em vez da Rota de Napoleão pegarmos a Rota de Valcarlos, passaremos por Arnéguy e pela vila que dá nome ao itinerário: Valcarlos. Aymeric Picaud já escrevia em seu “guia” do caminho que pelo vale chamado Valcarlos “também passam muitos peregrinos que vão a Santiago e não querem subir a montanha”. O lugar está ligado à batalha do exército de Carlos Magno contra os bascos. Diz-se inclusive que seu nome pode vir daí (“vale de Carlos”).
Em Valcarlos podemos ver a igreja de Santiago Apóstolo, construída entre os séculos XVIII e XIX. Na parte inferior tem uma arcada tripla e, para romper com a horizontalidade predominante da fachada, no meio se ergue uma torre quadrada com telhado piramidal. Se entrarmos, veremos que a maior parte da decoração se concentra no retábulo neogótico (séc. XIX) que adorna a abside.
Perto da fachada da igreja, seguindo uma ruela, veremos uma escultura do artista Jorge Oteiza, pensada como monumento ao peregrino. Seis figuras geométricas de diferentes materiais se encaixam em uma base de concreto, assemelhando-se a uma fileira de peregrinos caminhando para o mesmo lugar.
Em Valcarlos ainda se pratica uma dança ancestral declarada Bem de Interesse Cultural de Navarra. Seus dançarinos são chamados de “bolantes” porque dançam no ar fazendo voar fitas coloridas presas em seus trajes brancos. Se tiver oportunidade de ver uma apresentação, não hesite em parar e descansar um pouco. Sempre se dança no Domingo de Páscoa durante a Semana Santa, mas você também pode consultar a página da prefeitura de Valcarlos para ver se há apresentações programadas.
Continuando pela Rota de Valcarlos também chegamos ao Alto de Ibañeta e, dali, descemos até Roncesvalles. Nessa vila, onde vivem cerca de 30 pessoas, podemos ver diferentes monumentos ligados ao Caminho de Santiago.
Roncesvalles
Visitamos a Real Colegiada de Santa María e a Capela de Santo Agostinho
O mais emblemático é a Real Colegiada de Santa María. O edifício foi construído no século XIII e, dentro da Península Ibérica, é um dos poucos exemplares do gótico francês. Ao longo dos cinco séculos seguintes passou por diversos incêndios que acabaram por favorecer, no século XIX, a decisão de reconstruí-la quase por completo.
Com essas obras mudou muito em relação à forma original, de modo que hoje podemos ver como, apesar de no interior conservar as linhas góticas (arcos ogivais, formas góticas, tribuna…), no exterior há muitos elementos barrocos. Nessa igreja, todos os dias às 20h00, celebra-se uma missa especial dedicada aos peregrinos. No final, leem-se os nomes dos que chegaram àquele dia e dos que iniciam o caminho no dia seguinte, abençoando-os e rezando por eles ao som de música de órgão.
Perto da abside da colegiada, contornando o albergue, chegamos à Capela de Santo Agostinho, original do século XIV mas reconstruída no início do XX. Por fora parece muito sólida, quase como a torre de uma fortaleza. No entanto, sua abóbada interior, apoiada em quatro enormes mísulas, destaca-se pela elegância e pela elaboração no talhe das nervuras que a compõem. No centro do espaço está o sepulcro do rei Sancho VII “o Forte”, formado por uma estátua reconstruída no séc. XIX sobre a original primitiva do séc. XIII.
Terminamos na Capela de Santiago e no Silo de Carlos Magno
Perto da casa prioral fica o conjunto formado pela igreja de Santiago e a Capela do Espírito Santo. A igreja ou capela de Santiago é um pequeno templo gótico (séc. XIII) de planta retangular e cobertura simples, de abóbada de arcos com nervuras. O exterior também é sóbrio, formado por um muro de cantaria irregular. O arco do portal, por ser o templo gótico, é ogival.
No tímpano há uma talha de um monograma de Cristo. O crismón é um pictograma que representa Cristo: contém as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego (X e P) e também as letras alfa e ômega — a primeira e a última do alfabeto grego — representando Jesus Cristo como o princípio e o fim de todas as coisas.

A Capela do Espírito Santo também é chamada de Silo de Carlos Magno. É o edifício mais antigo da vila, datado do século XII, embora muito transformado. Diz-se que Carlos Magno a construiu para enterrar seus cavaleiros mortos na batalha de Roncesvalles, entre os quais estava Roldán — de quem já vimos uma fonte comemorativa na etapa desde Saint-Jean.
Foi construída sobre uma cova, na qual os ossos dos membros mortos do exército teriam sido depositados. Nesse ossário, diz-se, ao longo dos séculos foram deixados restos de peregrinos. Sobre a cova foi feita a capela, que é quadrada e coberta de forma simples. Como esse espaço estava em um nível mais elevado, decidiu-se no século XVII fazer uma arcada de pedra em três lados. Ali, sob seus arcos semicirculares, foram enterrados cônegos da colegiada de Santa María.