Etapa 6: De Santo Domingo de la Calzada a Burgos de bicicleta

Xavier Rodríguez Prieto

Dados técnicos da etapa

  • Distância até Santiago: 562 km
  • Distância da etapa: 75 km
  • Tempo estimado: 6 horas – 6 horas e meia
  • Altitude mínima: 640 m
  • Altitude máxima: 1165 m
  • Dificuldade: Alta
  • Lugares de interesse: Belorado, Villafranca de Montes de Oca, San Juan de Ortega, Atapuerca, Burgos
  • Itinerário no Google Maps: Para ver o percurso no Google Maps clique aqui
Mapa Da Etapa De Santo Domingo De La Calzada A Burgos Pelo Caminho Francês De Bicicleta

De Santo Domingo de la Calzada a Burgos de bicicleta é a sexta etapa do Caminho Francês. Depois da primeira etapa, da segunda etapa, da terceira etapa, da quarta etapa e da quinta etapa, agora você encara 75 km exigentes. Esta etapa sobe em dificuldade pelo aumento de quilometragem em relação ao que foi feito até aqui e também porque você vai encontrar algumas rampas fortes, às vezes com pedras soltas que somam dificuldade técnica. De qualquer forma, tanto no texto quanto no mapa da etapa você encontra alternativas por estrada.

Vista Geral Da Serra De Atapuerca Indo De Santo Domingo De La Calzada A Burgos De Bicicleta
Vista geral da Serra de Atapuerca

As maiores complicações estão em alguns saltos acentuados nos Montes de Oca e, depois, ao cruzar a Serra de Atapuerca. Ali você vence 100 metros de desnível em pouco mais de um quilômetro e, em seguida, desce uns três quilômetros com cerca de 140 metros em declive forte.

Em geral, você pode seguir pelas trilhas originais do Caminho durante toda a etapa, mas em muitos casos elas correm paralelas à N-120 ou a outras estradas locais. Em alguns pontos, na Tournride recomendamos que você vá pela estrada, principalmente se as condições meteorológicas forem ruins, o piso estiver enlameado ou houver muitos peregrinos, já que algumas trilhas são estreitas. Aqui a gente te conta os pontos onde você pode voltar às trilhas.

PERFIL E PRINCIPAIS ROTAS DA ETAPA

Saímos de Santo Domingo de la Calzada e, depois de cruzar a ponte, você pode seguir direto pela Estrada de Burgos. A trilha corre paralela a ela e, em pouco mais de dois quilômetros, você encontra uma placa de pare que elimina uma das faixas da estrada. Nesse ponto, a trilha aparece à esquerda e você pode voltar a ela.

A partir daí o desnível fica mais forte e, até Grañón, é preciso fazer um esforço, principalmente nos últimos dois quilômetros até o centro do povoado, que está num ponto alto chamado “Cerro de Mirabel” (120 m de desnível).

Placa Com O Itinerário De Santo Domingo De La Calzada A Grañón
Placa com o itinerário de Santo Domingo de la Calzada a Grañón (foto cedida por Miran Rivajec sob as seguintes condições)

Depois de uma descida forte na saída de Grañón, você pega um caminho de cascalho que segue em leve rampa pela fronteira entre La Rioja e Castela e Leão. Está marcado com um grande cartaz com o mapa da rota nessa comunidade.

A partir da fronteira, ao longo do Caminho vão aparecer marcações com saltos curtos e permanentes. Da fronteira, a trilha de cascalho te deixa em “Redecilla del Camino”. Pelo centro dela passa a N-120, estrada que você segue até Castildelgado.

Chegando a Castildelgado você pode seguir as flechas amarelas por trilhas de terra que passam por Viloria de Rioja. Se em vez disso você for pela N-120, não passa por essa localidade e vai direto a Villamayor del Río. As trilhas até Viloria de Rioja são perfeitamente praticáveis; só podem ficar um pouco estreitas em alguns pontos.

De Villamayor del Río até Villafranca Montes de Oca você pode ir pela rota original, que segue como trilha de cascalho ou terra mais ou menos paralela à estrada, ou pela N-120. Se for pela estrada, não passa por Villambistía. O percurso é em leve rampa permanente.

Ao chegar a Villafranca Montes de Oca você pode pegar a rota original, cruzar essas montanhas e compensar o esforço extra com um entorno natural incrível. Vai pedalar por caminhos de terra que ganham inclinação conforme a subida, alternando descidas marcadas com rampas curtas mas intensas, que podem chegar entre 5 e 8% de desnível. Você também pode escolher continuar pela N-120 a partir de Villafranca e se juntar às trilhas da serra 4,5 km depois, entrando direto no Alto de la Pedraja, altitude máxima da serra (1150 m). Também dá para entrar antes, um pouco antes do monumento da Guerra Civil.

Estrada Rumo A Villafranca De Montes De Oca, Cercada De Árvores Num Dia Ensolarado
Estrada rumo a Villafranca de Montes de Oca (foto cedida por Total13 sob as seguintes condições)

Do Alto de la Pedraja você desce em inclinação gradual por cerca de 8 km até San Juan de Ortega. Dali segue uma estrada linda entre pinheiros, perto de Agés, num nível superior que oferece vistas bonitas do entorno. Desse ponto um tobogã te deixa em Agés.

Os primeiros três quilômetros depois da saída de Agés viram um passeio tranquilo em plano pela estrada regional (BU-V-7012). Quando você vê à direita o centro de interpretação dos sítios de Atapuerca e entra no povoado homônimo, tem que sair da estrada e pegar uma trilha de cascalho à esquerda.

A partir desse ponto é preciso subir durante dois quilômetros a Serra de Atapuerca. Vence-se um desnível de 116 metros e depois 140 m em outros 2,5 km. Não é uma rampa muito forte, mas o tipo de piso pode complicar a passagem, já que há muitas pedras soltas e degraus de pedra natural.

Dada a dificuldade técnica desse trecho, você pode decidir contorná-lo. Para isso, siga em frente pela estrada de Atapuerca até chegar a Olmos de Atapuerca, onde vai pegar a estrada que margeia a serra pela esquerda até Villalbal, onde volta a se conectar ao Caminho.

De Villalbal você fica a menos de 17 km para chegar a Burgos. O perfil suaviza e, embora haja algum salto, nada comparável ao que você já passou.

Depois de deixar para trás Orbaneja Riopico e cruzar a autoestrada por um viaduto superior, você tem duas opções para entrar em Burgos.

Estátua De Um Peregrino Com A Catedral De Burgos Ao Fundo
Estátua de um peregrino com a catedral de Burgos ao fundo (foto cedida por Paul Quayle)

A primeira opção é pela rota original. Margeia o aeroporto pela direita e entra na cidade pelo polo industrial de Gamonal. É uma estrada longa e cansativa, de mais de 10 km até chegar à catedral (7 km pelo polo industrial, com muito tráfego e movimento de caminhões).

A segunda opção é entrar pelo parque fluvial do rio Arlanzón. A não ser que chova muito e o terreno fique muito enlameado, essa é com certeza a melhor opção. Para ir por aqui, você precisa atravessar a parte superior da autoestrada e, quando vir uma urbanização à esquerda, segui-la para pegar uma trilha que vai em direção ao fundo. Esse caminho também é sinalizado vertical e horizontalmente, então você não vai ter problema para segui-lo. Distância e perfil são parecidos, mas o passeio fica bem mais agradável e leva você quase até o centro da cidade.

Em geral, esta vai ser uma etapa que exige muito esforço, já que, além de ser bem longa, inclui a subida a duas elevações altas nos Montes de Oca e na Serra de Atapuerca. A paisagem que te acompanha vale a pena, porque você vê como o verde do rio começa a dar lugar às grandes extensões de Leão. O que é certo é que, depois de tanto esforço, a entrada em Burgos pode ficar longa, já que você vê a cidade, mas demora bastante para chegar ao centro. Bom Caminho, peregrino!

DICAS PRÁTICAS

  • Embora a trilha corra perto da estrada, o que te dá a opção de ir pelo asfalto e facilitar a peregrinação, se você for pelas trilhas às vezes há algum cruzamento perigoso. Cuidado sempre redobrado nesses pontos.
  • De Villafranca de Montes de Oca a San Juan de Ortega são cerca de 12 km pela serra sem nenhuma localidade, então se você precisar de água ou comida é sempre recomendável se abastecer antes. Vale mencionar que, na parte alta dos montes, na pista larga a uns 5 km de San Juan, há um bar chamado “El Oasis del Camino” (O Oásis do Caminho), com mesas e cadeiras feitas de grandes troncos pintados. Paga-se por livre vontade pelo que for pedido. Não é permanente, então no inverno pode ser que você não encontre.
  • Se você começa o caminho em Santo Domingo de la Calzada, a gente te ajuda a chegar lá. Sabe como chegar a Santo Domingo de la Calzada?
  1. Chegam ônibus regionais de vários pontos da península. Como a empresa que opera muda conforme a origem, o melhor é consultar a página da prefeitura, onde toda a informação está detalhada, e procurar uma conexão diretamente no site de quem opera.
  2. Há ônibus que conectam com Logroño, Burgos, Zaragoza, Madri e Barcelona, todas cidades com aeroporto. Se você vem de longe por essa via, tem a possibilidade de fazer baldeação.
  3. Não há estação de trem em Santo Domingo de la Calzada. As mais próximas são Haro (21 km), Miranda de Ebro (38 km) e Logroño (46 km).

Você também pode tentar em alguma plataforma como Blablacar ou contratar um táxi que te pega na localidade próxima à que você chegar para te levar a Santo Domingo.

Lembre que na Tournride a gente deixa, na véspera do início da sua viagem, as bicicletas de aluguel para o Caminho de Santiago na sua acomodação de Santo Domingo de la Calzada e podemos cuidar da sua bagagem extra, transportando-a até o seu destino final.

  • Se você quiser visitar Atapuerca, tem três formas de fazer isso. De terça a domingo, a Fundação Atapuerca organiza visitas aos sítios a cada hora, das 10:00 às 13:00; então, se o horário bater, você pode se aproximar pela estrada que passa do Caminho até o próprio sítio (está bem indicado). A segunda possibilidade, se você passar a noite em Agés, é usar o ônibus que pega os peregrinos todos os dias e os leva para a visita (recomenda-se consultar horários no albergue do povoado). A última é pegar o ônibus desde o Museu da Evolução Humana em Burgos até o sítio. Para mais informações, consulte o site da Fundação Atapuerca.
  • Se você quiser visitar a catedral de Burgos, lembre que ela só abre até as 18:00 e que é preciso pagar entrada (€ 3,50 com a credencial). Se não chegar, pode sempre visitá-la a partir das 10:00 na manhã seguinte.

ITINERÁRIO DETALHADO E PATRIMÔNIO HISTÓRICO-ARTÍSTICO

Nesta etapa você deixa para trás La Rioja e entra em Castela. A mudança de paisagem vai ser gradual: os vinhedos aos poucos ficam para trás e você cruza grandes plantações de pinheiros, até que a paisagem da chamada “Riojilla Burgalesa” te dá vistas das suas grandes extensões salpicadas de azinheiras.

Além desses lugares impressionantes, você descobre as primeiras pegadas humanas nos sítios de Atapuerca e as grandes construções medievais de San Juan de Ortega. Tudo isso entremeado pela visita a várias aldeias pequenas em que a simpatia das pessoas e o bom tratamento ao peregrino estão garantidos.

Bom caminho!

SAÍMOS DE SANTO DOMINGO DE LA CALZADA E CRUZAMOS GRAÑÓN ATÉ CHEGAR À FRONTEIRA COM CASTELA E LEÃO

Rebanho Na Serra De Atapuerca A Caminho De Burgos
Rebanho na Serra de Atapuerca (foto cedida por Paul Quayle)

O percurso de hoje começa com um edifício cheio de história: a ponte de Santo Domingo de la Calzada. Você já conhece a história do santo e dessa localidade, detalhada no passeio final da etapa anterior. Esta ponte de saída da cidade foi a que primeiro tornou Domingo García famoso.

É verdade que a ponte atualmente usada pelos peregrinos (de pedra e 16 arcos) não é a ponte construída pelo santo no século XI. Primeiro houve uma ponte formada por uma tábua de madeira sobre pilares de pedra e, depois, Santo Domingo, já conhecido em sua época, construiu ao lado outra formada por cerca de 25 grandes arcos de pedra. Essa ponte, pelo desgaste das cheias e da passagem do tempo, teve que ser reformada em todos os séculos do XVI ao XIX, o que mudou seu aspecto até dar a ela a configuração que vemos hoje.

Ponte Sobre O Rio Oja Na Saída De Santo Domingo De La Calzada
Ponte sobre o rio Oja na saída de Santo Domingo de la Calzada (foto cedida por Jordiferrer sob as seguintes condições)

Apesar de que as pedras colocadas por Domingo García já não bastem hoje, é verdade que a construção tem muita importância histórica e, por isso, é citada em muitas fontes antigas. Também é cenário de um dos muitos milagres de Domingo, pois diz-se que um peregrino que ali dormia foi atingido por uma carroça e o santo lhe devolveu a vida.

Decidindo seguir pela estrada de Burgos ou paralela a ela pelos caminhos da rota, em cerca de 7 km você chega a Grañón, a última cidade de La Rioja que vai visitar. O Caminho de Santiago coincide com a sua Calle Mayor, então você vai cruzar o povoado pela artéria principal, que coincide com o ponto mais alto do Cerro de Mirabel, onde fica a cidade. Antigamente, pela posição de fronteira, havia ali um castelo que permitia dominar a área. Hoje não restam vestígios, mas você pode ver boas vistas sentado num mirante no fim da rua, onde o caminho indica uma virada à esquerda.

Placa Na Fronteira Entre La Rioja E Castela E Leão A Caminho De Burgos
Placa na fronteira entre La Rioja e Castela e Leão (foto cedida por Total 13 sob as seguintes condições)

Depois de deixar Grañón por uma estrada asfaltada primeiro e com piso bom depois, você percorre menos de dois quilômetros até chegar à fronteira com Castela e Leão. Um grande cartaz indica o ponto de cruzamento, com informação sobre as diferentes localidades por onde o Caminho passa nessa comunidade.

Você tem cerca de 450 quilômetros a percorrer por Castela e Leão para chegar à Galiza, primeiro por Burgos e depois por Palencia e León. Vai ver como a paisagem desta etapa, que ainda lembra La Rioja, dá lugar, nos próximos dias, às extensões entre campos de cereais das planícies castelhanas; e depois o Bierzo te devolverá vinhedos e grandes árvores para subir até os Ancares e entrar na mais verde de todas: a Galiza.

POVOADOS-RUA: A PEGADA URBANÍSTICA DO CAMINHO EM REDECILLA, CASTILDELGADO E VILLAMAYOR DEL RÍO

Em apenas 1,5 km você chega à primeira localidade castelhana: Redecilla del Camino. Como muitas outras aldeias que vai ver hoje, ela tem a configuração de povoado-rua muito comum no Caminho de Santiago. A via coincide com sua rua principal.

Em Redecilla del Camino destaca-se uma das peças escultóricas mais conhecidas do Caminho Francês. Na rua principal do povoado há uma pequena joia românica dentro da igreja de “Nuestra Señora de la Calle”.

Trata-se da pia batismal, de quase um metro de diâmetro, considerada por muitos a mais especial de todo o Caminho Francês. Tem forma de cálice, é de pedra e toda a parte externa é esculpida, representando uma imponente fortificação. Os detalhes são perfeitamente visíveis nas ameias, nas janelinhas de formas diferentes e nas oito torres esculpidas que se alongam até virar colunas encaixadas na base.

Pia Batismal Românica Na Igreja De Redecilla Del Camino
Pia batismal românica na igreja de Redecilla del Camino (foto cedida por Santiago López-Pastor sob as seguintes condições)

Essa obra maravilhosa do século XII não deixa ninguém indiferente. Pode ser pelo impacto do tamanho, que tem uma força imponente, e ao mesmo tempo é delicada e detalhada dentro da sua rusticidade. Talvez seja porque os volumes marcados lembram as miniaturas dos códices medievais (sem esquecer a proximidade do mosteiro de San Millán de la Cogolla, vital nesse tipo de arte) ou a arte moçárabe, aqueles cristãos que viveram em território muçulmano e, portanto, foram influenciados pela arte de Al-Andalus. Seja como for, essa obra merece uma parada para ser admirada. Vale lembrar também que o tema escolhido tem um simbolismo marcante, já que o castelo representado é certamente a Jerusalém Celeste. Dessa forma, expressa a ideia de que o batismo que ali ocorre é o primeiro passo da vida para eliminar o pecado e poder entrar, um dia, na chamada “Cidade de Deus”.

Seja por estrada ou pelos caminhos do Caminho, em menos de 2 km você chega a Castildelgado, também em formato de povoado-rua típico da rota jacobeia. Se dali continuar pela estrada, não passa por Viloria de Rioja e, portanto, perde a visita ao lugar onde Santo Domingo nasceu em 1019. A localidade recebe esse nome por causa da proximidade com a comunidade homônima e, na igreja de Nossa Senhora da Assunção, conserva-se a pia batismal onde o santo recebeu seu primeiro sacramento.

Voltando ao asfalto ou à trilha, você chega a Villamayor del Río. Se Villamayor de Monjardín, já visitada, era a aldeia das quatro mentiras (nem vila, nem maior, nem de monjas, nem jardim), esta é a das três decepções: não é vila, não é maior e não tem rio. Você vai deixar à esquerda a igreja paroquial, ao lado da qual existia antigamente um hospital para peregrinos.

BELORADO, PRINCIPAL ENTIDADE DA “RIOJILLA BURGALESA”

Seguindo tanto pela N-120 quanto pelo trecho do caminho paralelo a ela, em cerca de 4 km você chega a Belorado. Esta cidade de cerca de 2000 habitantes fica num local que já foi estratégico, entre o vale do Ebro e o planalto. Quando a primeira investida dos árabes tentou conquistar todo o norte da península, o rei Afonso I mandou construir ali um castelo, do qual só restam vestígios do que se acredita ser a torre de menagem.

Vista De Belorado Desde Seu Castelo
Belorado desde seu castelo (foto cedida por Franz Pisa sob as seguintes condições)

O esplendor da cidade surge a partir do século XI, quando Sancho III, o Grande, mudou o traçado do Caminho e milhares de peregrinos jacobeus começaram a passar por ali. Aymeric Picaud menciona esse lugar como “belforatus”, que em latim significa “belo buraco”, talvez porque está num nível mais baixo que o terreno do entorno. Tanta foi a sua importância que esta cidade tem o privilégio de ser o local da Espanha onde se documentou a existência da feira mais antiga (1116 d.C.). Ainda que hoje possa parecer algo trivial, as feiras na Idade Média eram de importância vital, pois eram o lugar onde se davam as mais importantes atividades econômicas e sociais. A existência dessa feira fez com que muitos francos e judeus (ambos com papel importante no comércio) se estabelecessem na cidade. Depois da expulsão dos judeus da península no século XV, a cidade começou a perder importância.

Hoje os principais atrativos para visitar Belorado são a igreja de Santa María (ao lado da qual fica o albergue paroquial) e, na Plaza Mayor, a igreja de San Pedro, de origem medieval, porém muito reformada no século XVII. No povoado também fica o Museu Internacional de Radiocomunicação Inocencio Bocanegra, que ocupa um antigo silo (o único edifício desse tipo totalmente reformado na Espanha). Nesse espaço interior aberto há uma coleção de mais de 450 peças originais e também a maior reprodução interior da Europa de uma trincheira da Primeira Guerra Mundial (619 m²).

RUMO A VILLAFRANCA DE MONTES DE OCA

De Belorado a Villafranca de Montes de Oca você precisa encarar 12 km de subida leve mas permanente, entremeada apenas por alguns saltos.

Vista Da Ermida Virgen De La Peña Desde O Alto Do Monte
Vista da ermida Virgen de la Peña desde o alto do monte (foto cedida por Diego Delso sob as seguintes condições)

De Belorado você pode ir a Tosantos pela N-120 ou pela trilha de terra, de piso bom. O caminho não fica muito mais curto, mas pode ser uma boa opção em épocas de saturação de peregrinos a pé. Em cerca de 5 km você chega a Tosantos, de onde verá à direita, ao longe, a ermida Virgen de la Peña. É uma construção de origem eremítica, com diferentes dependências escavadas como cavernas na parede da rocha.

Se continuar pela estrada a partir de Tosantos, você não passa por Villambistía, que fica a menos de 2 km por trilhas de terra. No centro do povoado, depois de deixar à direita a igreja de San Esteban (século XVII), há uma fonte de quatro bicas. Diz-se que sua água cancela o cansaço dos peregrinos, mas… cuidado! Trata-se de molhar a cabeça, não de beber; essa água não é potável!

Saindo de Villambistía por uma trilha de piso bom, você chega em menos de 1,5 km a Espinosa del Camino, depois de cruzar a N-120. Se decidiu não passar por Villambistía, terá percorrido pouco mais de 3 km desde Tosantos.

Igreja De Santiago El Mayor Em Villafranca De Montes De Oca
Igreja de Santiago el Mayor em Villafranca de Montes de Oca (foto cedida por Jose Manuel sob as seguintes condições)

Dali restam cerca de 3,5 km até chegar a Villafranca de Montes de Oca. Se preferir, também pode ir pela N-120, encurtando cerca de 500 metros.

Em Villafranca de Montes de Oca (quilômetro 34,6 da etapa) você estará ao pé dos montes de mesmo nome, que precisa cruzar por 12 km até chegar à próxima localidade da etapa: San Juan de Ortega. Esse povoado tem todos os serviços, então, se você quiser fazer uma parada, pode ser um bom lugar para descansar.

Ao começar a subida aos montes, você vê à esquerda a igreja de Santiago el Mayor. Construída em sua maior parte no século XVII, chama a atenção pela boa obra de pedra, que dá sentido e realça o classicismo e a simplicidade de suas linhas. Vale a pena entrar para ver sua pia de água benta, formada por uma enorme concha natural.

Quase em frente à igreja, à direita, há também um antigo hospital de peregrinos mandado construir em 1377 pela rainha de Castela. Com o edifício reformado, hoje o local é um espaço de hospedagem para o peregrino, em formato de albergue (5-10 euros) ou de hotel três estrelas (a partir de 30 euros).

MONTES DE OCA, UM ESPETÁCULO NATURAL COM SABOR DE HISTÓRIA

Os Montes de Oca são um território semimontanhoso que divide as bacias de dois dos grandes rios da Espanha: o Douro e o Ebro. Fernán González diz em seus versos que também serviram de fronteira política, marcando os limites orientais da primitiva Castela.

Com o fortalecimento da peregrinação a Santiago, esses montes se ergueram como passagem necessária para os caminhantes. De fato, Aymeric Picaud já menciona esses lugares no Códice Calixtino do século XIII, referindo-se a eles como “Nemus Oque”. “Nemus” é uma palavra latina que se refere a uma floresta que contém árvores com conotações sagradas, o que dá uma ideia da importância do lugar. Era um trecho muito temido pelos peregrinos, que não só tinham que enfrentar as dificuldades da configuração do terreno, mas também um dos principais problemas do Caminho durante a Idade Média: a segurança. A alta densidade de vegetação em torno dos pequenos caminhos era um esconderijo perfeito para os bandidos, que esperavam os peregrinos para assaltá-los. A tudo isso se somavam as dificuldades para obter água potável durante os mais de 12 km de caminho e as temperaturas extremas no inverno e no verão. Uma prova de fé medieval!

Monumento Aos Fuzilados Na Guerra Civil, Montes De Oca
Monumento aos fuzilados na Guerra Civil (foto cedida por KRLS sob as seguintes condições)

Hoje você já não vai ter problemas de segurança, mas poderá aproveitar a paz que se respira em seu belo entorno, pedalando entre carvalhos, freixos, pinheiros e zimbros habitados por uma longa série de animais selvagens.

Ao sair de Villafranca de Montes de Oca você encara um dos trechos que podem ser mais complicados para o peregrino de bicicleta. Sobe-se por uma trilha bastante estreita, com piso irregular. Há muitas pedras soltas grandes e, em certos pontos, pode haver saltos com inclinação de até 6-8%. Depois de andar cerca de 1,8 km, o desnível continua íngreme, mas suaviza (máximo 3%) e a trilha ganha amplitude.

Você chega a uma parada onde há um monumento aos fuzilados na Guerra Civil Espanhola. Foi promovido pelos familiares das mais de 300 pessoas que foram fuziladas naquele lugar após o levante franquista em 1936 e depois enterradas numa vala comum que, junto com a dos Montes de Estépar, é uma das maiores de Burgos. Muitos peregrinos deixam mensagens nesse lugar em inúmeros idiomas e formas.

Decorações Feitas Pelos Peregrinos Em &Quot;El Oasis Del Camino&Quot;, Montes De Oca
Decorações feitas pelos peregrinos em “El Oasis del Camino” (foto cedida por Jorge Gañán)

Logo além do monumento te espera o outro trecho complicado desses montes. Você tem que descer 22 metros de altitude em 600 metros e, depois de cruzar o rio Carratón, subir 37 metros de desnível em menos de 1 km, encarando no começo uma rampa forte de 100 m. Com certeza o melhor desse trecho é descer da bicicleta e empurrar, porque com o peso dos alforjes vai custar subir, ainda mais se estiver chovendo, já que o piso é de cascalho e terra!

Ao superar esses obstáculos você estará no Alto de la Pedraja (1150 m), ponto máximo da etapa. Pouco antes desse ponto fica a ligação entre essa trilha e a N-120. No caso de mau tempo, ou se preferir cruzar o percurso pela estrada desde Villafranca de Montes de Oca até ali, você se junta antes da Pedraja (consulte o mapa da etapa no Google Maps para ver o ponto exato).

Do Alto de la Pedraja são 7 km até chegar a San Juan de Ortega, que você percorre por trilhas amplas e firmes de terra, de forma que o maior problema pode ser lama se tiver chovido. Perto do Alto de la Pedraja, e dependendo da época em que você peregrina, pode encontrar o “Oasis del Camino“, um bar improvisado e colorido ao ar livre onde dá para parar para descansar, se quiser.

SAN JUAN DE ORTEGA, LUGAR ENIGMÁTICO COM MAIS DE 800 ANOS DE SERVIÇO AO PEREGRINO

Você entra em San Juan de Ortega e a vista maravilhosa do seu mosteiro te acolhe, abrindo-se à direita. Esse povoado tem o mesmo nome do santo que promoveu a sua criação, nascido em 1080 em Quintanaortuño (uma aldeia de Burgos).

Fachada Exterior Do Mosteiro De San Juan De Ortega No Trecho De Santo Domingo De La Calzada A Burgos De Bicicleta
Fachada exterior do mosteiro de San Juan de Ortega (foto cedida por J. Sierro sob as seguintes condições)

Foi discípulo de Santo Domingo e hoje é o padroeiro dos “riggers” (trabalhadores de obra). Como o seu mestre, realizou muitas obras pelos peregrinos. A mais importante é a que começou neste lugar dos Montes de Oca, conhecido como “urtica” pela quantidade de plantas dessa espécie que se concentravam ali. Dizem que, depois de um naufrágio que quase lhe custou a vida ao voltar de Jerusalém, Juan decidiu construir ali uma capela a São Nicolau com um hospital para os peregrinos.

Juan morreu em Nájera em 1163, aos 83 anos. Seus restos foram levados à capela de Nicolau e a importância que esse santo ganhou fez com que muita gente peregrinasse ao lugar, que acabou adotando o nome de San Juan de Ortega.

&Quot;Milagre Da Luz&Quot; No Capitel Da Natividade Em San Juan De Ortega
“Milagre da luz” no capitel da Natividade em San Juan de Ortega (foto cedida por Miguel Martín Camarero sob as seguintes condições)

O mosteiro anexo à igreja foi ocupado primeiro pelos dominicanos e depois pelos jerônimos, que o ampliaram muito em 1476. Tanta foi a sua importância nessa época que até a rainha Isabel, a Católica, foi até lá pedir ajuda ao santo para ter filhos, já que, depois de dar à luz Isabel, tinha ficado 6 anos sem descendentes. No ano seguinte deu à luz um homem que chamou Juan e, um ano depois, a que seria conhecida como Joana, “a Louca”. Certamente a escolha dos nomes escondia o agradecimento da rainha ao santo pela ajuda na fertilidade.

Exterior Do Mosteiro De San Juan De Ortega
Exterior do mosteiro de San Juan de Ortega (foto cedida por J. Sierro sob as seguintes condições)

O mosteiro é um lugar especial porque, ao singular do seu belo entorno, se unem sua importância como lugar cristão e também o enigmático de um fenômeno astronômico chamado “Milagre da Luz”. A cada equinócio, às 5 da tarde, os raios do sol penetram na igreja do santo e iluminam seu capitel, que tem uma representação da Natividade (o nascimento de Jesus). No centro do capitel, a Virgem Maria recebe os raios com as duas palmas levantadas. Esse capitel fica dentro da abside norte da igreja e é uma joia do Românico, perfeitamente conservado e com uma multidão de tallhas cheias de detalhes. Não é o único do templo, já que nele coabitam capitéis de motivos vegetais com outros de figuras, como esse.

San Juan de Ortega morreu antes que a igreja de San Nicolás fosse terminada. As igrejas sempre começavam a ser construídas pela abside, a parte mais sagrada, porque assim já dava para começar a dar missa antes que todo o edifício estivesse pronto. Esta igreja começou a ser construída na segunda metade do século XII, quando foi feita a cabeceira tripla. Após a morte do santo, as obras foram interrompidas e retomadas no fim do século XV, época em que predominava o estilo gótico tardio. Por isso, nesta igreja você vê como a abside tem formas mais claramente românicas, com arcos e janelas alargadas, enquanto a parte dos pés e a portada são góticas.

Azinheira Na Esplanada Alta Antes Da Descida A Agés
Azinheira na esplanada alta antes da descida a Agés (foto cedida por Jorge Gañán)

Gótico também é o impressionante mausoléu em forma de baldaquino que fica no centro do templo, onde está enterrado o casal de nobres importantes que o patrocinou. Os relevos nas laterais do túmulo representam cenas da vida de São João, mas o que mais impressiona é a delicadeza dos rendilhados superiores do túmulo, tão finos que é difícil acreditar que partem de um bloco de pedra.

O sepulcro de San Juan fica na capela de San Nicolás de Bari e é puramente românico. Está repleto de relevos de todos os lados e a tampa é ligeiramente maior que a caixa. Também estão esculpidas cenas da vida do santo.

Depois dessa visita impressionante, você deixa San Juan de Ortega pelo asfalto que, depois da curva da estrada, volta a virar uma trilha de cascalho bastante plana que, por 3 km, te leva entre um enorme pinhal. Quando a densidade alta de árvores clareia, abrem-se diante de você algumas vistas bonitas dos campos de cultivo de Burgos. Depois de cruzar uma cerca metálica, você desce por 500 metros num tobogã que em algum momento pode ter até 9% de inclinação e que te deixa na entrada de Agés.

CRUZANDO A SERRA DE ATAPUERCA E ÚLTIMAS LOCALIDADES ANTES DE BURGOS

Agés é hoje uma aldeia de pouco mais de 50 habitantes, dedicada principalmente ao cultivo de cereal. Em compensação, nasceu no século XII com importante função política e militar, já que serviu de fronteira com os árabes no contexto da Reconquista. Hoje tem três albergues e uma simpática loja-restaurante chamada “El Alquimista”, onde Amapola e seu marido preparam com carinho pratos típicos da região, cuidando muito bem dos peregrinos (servem café da manhã a partir das 6:00 da manhã).

Rua Principal Da Aldeia De Agés
Rua principal de Agés (foto cedida por Jorge Gañán)

Você sai de Agés pela estrada local, de forma confortável e sem grandes mudanças de inclinação. A 1,6 km você vê à direita um desvio sinalizado para uma pista de cerca de 600 metros que te deixa diretamente na porta do centro de interpretação de Atapuerca. Se, em vez de pegar o desvio, continuar um pouco mais de meio quilômetro pela estrada, chegará ao povoado homônimo, de onde sai a trilha para subir a serra.

Por que visitar os sítios de Atapuerca? O conjunto de cavernas que compõem esse parque arqueológico reúne inúmeras menções honrosas e prêmios culturais, entre os quais o de Patrimônio da Humanidade desde 1999. Desde o último quarto do século XX, foi objeto de incontáveis campanhas arqueológicas que trouxeram à luz os restos de quatro espécies diferentes de hominídeos, o que ajudou enormemente a entender como eram os nossos ancestrais. Além disso, também foram encontrados muitos objetos rituais diferentes, muitos deles da Idade do Bronze (cerca de 1300 a.C.), e até se demonstraram algumas atividades sociológicas anteriores; incluindo canibalismo ritual (o único exemplo disso na Europa).

Estrada Regional Que Liga Agés A Atapuerca Num Dia Ensolarado
Estrada regional que liga Agés a Atapuerca (foto cedida por Jorge Gañán)

No povoado de Atapuerca você encontra todos os serviços necessários. Da Plaza Antecesor, que está perto da estrada e quase na saída do povoado, sai a estrada que sobe à serra. Desse ponto você precisa encarar uma rampa de 2,5 km em que vence um desnível de 117 m com momentos em que a inclinação pode chegar a 9%. De qualquer forma, o principal problema é o piso, já que é de pedras soltas grandes e, em alguns momentos, de dificuldade técnica considerável.

A Sombra De Um Peregrino Na Subida À Serra De Atapuerca
Subida à Serra de Atapuerca (foto cedida por Jorge Gañán)

Você vai saber que chegou ao ponto mais alto (1072 m) quando vir uma grande cruz com pedras na base que centenas de peregrinos foram deixando com o passar do tempo. Terá uma vista linda do entorno e verá uma placa que reforça, com sua inscrição, o belo lugar: “Desde que o peregrino dominou Burguete, os montes da Navarra e viu os dilatados campos da Espanha, não desfrutou de uma vista mais bonita como esta”. O texto é uma citação de Luciano Huidobro y Serna, historiador que promoveu uma das maiores obras do século XX sobre o Caminho de Santiago (“Las Peregrinaciones Jacobeas”) e especialista no trecho do Caminho Francês na província de Burgos.

Também há obras de land art, um tipo de arte contemporânea que usa a natureza como moldura e material para construir suas obras. Assim, uma série de desenhos em forma de círculos concêntricos formados por pedras, de tamanhos diferentes, vai surpreender o peregrino.

Durante a descida da serra, o terreno segue complicado. Há outros 2,5 km com desnível de 138 m e inclinações negativas entre 8,5 e 3%. Depois de um último tobogã, você vira à esquerda e Villalbal, de onde o desnível vai ficar bem suave e a estrada se torna um passeio agradável em asfalto. Desse jeito, nos 3,5 km seguintes, a estrada te leva a cruzar Cardeñuela Riopico primeiro e Orbaneja Riopico depois.

A ENTRADA EM BURGOS PELO GAMONAL OU PELO PASSEIO FLUVIAL DO RIO ARLANZÓN

Bairro De Gamonal Em Burgos No Fim Desta Etapa
Bairro de Gamonal em Burgos

Ao deixar Orbaneja Riopico e cruzar a autoestrada por um viaduto superior, você vai estar às portas de Burgos. Entre você e a cidade, vai aparecer o aeroporto da cidade, que precisa contornar por um lado ou por outro.

Ribeira Do Arlanzón Em Burgos
Ribeira do Arlanzón (foto cedida por Jesús Serna sob as seguintes condições)

E é porque o trecho original até Burgos, que contorna o aeroporto pela direita, é pesado, que nasceu um desvio ou rota alternativa. A rota original entra por Villafría e depois cruza toda a zona industrial de Gamonal para se ligar a uma parte no fim da ciclovia, que te permite entrar na cidade para chegar à catedral. A parte do polo industrial, quando o calor é forte ou o tráfego é denso (há muito tráfego pesado), pode virar eterna para os ciclistas.

Se você quiser ignorar essa entrada, pode optar por seguir pelo passeio do rio Arlanzón, contornando o aeroporto pela esquerda, em vez da direita. Para pegar esse caminho, você precisa virar à esquerda cerca de 250 m depois de cruzar a parte superior da autoestrada, na entrada da urbanização (o desvio está sinalizado com flechas no asfalto). O asfalto vira uma trilha de cascalho que margeia o aeroporto, junto à sua cerca, e te leva a Castañares. Depois de cruzar o povoado (cuidado, porque aqui é preciso cruzar a estrada), a trilha entra no parque fluvial do rio Arlanzón. Você cruza a autoestrada por uma passagem inferior e segue cerca de 4,5 km pelo lado sul do rio, até que, depois de cruzar a N-120 por uma passagem inferior, verá uma ponte de pedestres à direita. Cruzando-a, você entra no coração de Burgos e, em menos de 2 km, chega à catedral.

UM PASSEIO DE UMA TARDE POR BURGOS

Vista Geral De Burgos Com A Catedral Ao Fundo
Vista geral de Burgos (foto cedida por Marcel Frank sob as seguintes condições)

Burgos é uma cidade monumental que tem muitos lugares cuja importância artística, histórica ou cultural merece alto reconhecimento. É impossível, portanto, conhecer os principais monumentos da cidade em apenas uma tarde. Por isso, na Tournride desenhamos um mapa no qual marcamos os principais lugares de interesse da cidade, que vamos comentar aqui para você conhecer. Mas, dada a impossibilidade de visitá-los todos (especialmente porque muitos requerem horas de visita guiada), planejamos um passeio a pé de 27 minutos para que você conheça o essencial. Vai sobrar muito para ver e fazer no tinteiro, mas pelo menos vai te dar uma ideia da cidade.

De qualquer forma, se você tiver interesse em conhecer mais alguns lugares de Burgos, na Tournride recomendamos que aproveite um dia de descanso aqui. Burgos ou León podem ser as melhores paradas do seu caminho, pela conjugação de monumentos e serviços. Por via das dúvidas, deixamos no fim algumas outras coisas para ver, caso queira passar mais tempo em Burgos.

Como sempre, começamos com um pouco de História…

Na Tournride acreditamos que, para entender uma cidade como a vemos hoje, é preciso saber de onde veio e como se tornou o que é. Por isso começamos te apresentando uma pequena linha do tempo que vai te surpreender com as mudanças que ocorreram num povoamento que começou como um pequeno “burgo” e que hoje é uma grande cidade cultural e industrial.

A fundação de Burgos como entendemos hoje acontece durante o século IX, no contexto da Reconquista. O rei Afonso III pede a um conde, chamado Diego Rodríguez, para fundar uma “aldeia” perto do rio Arlanzón. Como já vimos outras vezes, durante a guerra com os árabes era muito importante para os reis cristãos assegurar o território que recuperavam e, para isso, era vital povoá-lo. Nesse caso, a ordem era “populare no expugnare, quer dizer, o rei disse ao conde para focar em “povoar” e não em “conquistar” o território. Para isso, o conde ergueu um castelo no alto do morro perto do rio (hoje há vestígios da construção) e estimulou o assentamento por um método muito comum na época e já praticado pelos romanos, chamado “presura”.

Era basicamente uma questão de dar a propriedade da terra ao primeiro que chegasse e a roteasse, pedindo em troca que se mantivessem sob o comando do conde. Embora hoje o acordo pareça uma barganha, é preciso lembrar que, na época, esse território era perigoso e instável: os árabes tinham acabado de perder o território e estavam muito perto!

Apesar do perigo, a tentação de ter terras próprias como homens livres atraía muita gente, que cultivava terras em torno do castelo. Burgos era muito diferente do que é hoje, já que tinha função eminentemente militar e uma configuração de casas camponesas ao redor do castelo, por isso sua economia era principalmente agrária.

Porta Sul Do Castelo De Burgos, Feita De Pedra
Porta sul do castelo de Burgos

Assim o pequeno “burgo” se manteve até o século XI, quando pela primeira vez um rei se dedica diretamente ao lugar e sua história dá uma guinada radical, embora, tudo tenha que dizer, essa atenção tenha consistido basicamente numa traição. É que o rei Sancho II usou o castelo de Burgos como prisão para encerrar seus irmãos, depois de tirar os territórios que seu pai lhes tinha deixado em herança. Fernando I tinha dividido suas terras em três reinos (Galiza, Astúrias e León), dando um a cada filho, mas Sancho II queria tudo!

Desde que Sancho II pisou em Burgos no século XI, muitos outros reis o fizeram e, graças a esse impulso, Burgos viveu, até o século XVI, um momento de esplendor que mudou sua configuração para sempre, dotando-a de muitos dos grandes monumentos que vemos hoje. São os séculos do Cid, da instalação da corte real em Burgos e da celebração de casamentos reais. A cidade tinha que ter uma decoração à altura, razão pela qual a catedral é embelezada e surgem mosteiros como Las Huelgas.

Mas esse esplendor não deve ser entendido como a mera aparição de edifícios monumentais. Burgos passou de ser um assentamento agrícola em torno de um castelo militar a ser uma importante cidade comercial em torno da catedral, pelo que o centro da cidade “mudou” de sítio. A catedral era o centro nervoso em torno do qual a vida se desenvolvia e também era um ponto-chave de passagem no Caminho de Santiago, onde artesãos de toda a Europa se reuniam e trabalhavam.

Catedral De Santa María Em Burgos
Catedral de Santa María em Burgos (foto cedida por Guillepe01 sob as seguintes condições)

Burgos se tornou tão importante para o comércio (era vital até nas transações com o norte da Europa) que chegou a obter, no século XV, que os Reis Católicos lhe dessem o monopólio do comércio da lã.

No século XVI, todo esse esplendor, que só tinha estado em crescendo durante os cinco últimos séculos, é prejudicado pela conjunção de quatro fatores principais: as epidemias de peste, a descoberta da América, as guerras na Europa e o enfraquecimento do Caminho de Santiago. As importações da América e a eliminação das exportações para Flandres pela guerra enfraqueceram o comércio, os peregrinos pararam de chegar e a população foi reduzida pela peste. Uma crise que só começaria a se reverter praticamente no século XIX, quando as Cortes de Cádiz deram a Burgos a capital provincial.

Graças a esse impulso institucional, a área perto da catedral ganha vida novamente, com escritórios políticos e militares. A parte velha do castelo, destruída pelo flagelo da Guerra da Independência contra Napoleão, é definitivamente abandonada.

Ao impulso institucional soma-se, no século XX, o industrial, com a criação de fábricas de seda ou de produtos de cereais e, além disso, são cunhadas ali duas grandes linhas férreas. O crescimento orgânico que tudo isso promoveu foi, no século atual, regulado por planos estratégicos que organizaram a cidade por meio da criação de grandes infraestruturas de transporte, parques para o desfrute ambiental e grandes espaços culturais como o Museu da Evolução Humana.

Hoje Burgos é uma cidade de cerca de 170.000 habitantes que acolhe o peregrino com o mesmo calor com que vem fazendo desde o século XII. Agora que você sabe o porquê do seu jeito de ser, topa caminhar por ela?

Acompanhamos nossos passos aos da História. Primeira parada: El Castillo

Tendo apenas uma tarde e estando cansado depois de uma etapa dura, a meta do nosso passeio tem que ser entender o que é esta cidade e ver alguns dos seus lugares-chave, sendo a catedral o mais importante e o que vai tomar a maior parte do nosso tempo.

Vista A Partir Do Mirante Do Castelo Em Burgos
Vista a partir do mirante do castelo

Seguimos os passos da história da cidade e, saindo da nossa hospedagem (no mapa marcamos o albergue municipal como ponto de referência), nos dirigimos ao que foi o centro nevrálgico do primeiro “burgo”: o castelo. A entrada no interior do castelo é paga e pode incluir só a visita ao recinto exterior ou também as galerias interiores. A parte externa do castelo está bastante deteriorada, mas, no subsolo, esse edifício guarda muitos segredos que valem a pena descobrir: há mais de 300 metros de galerias subterrâneas interiores que foram vitais para a função militar. As visitas são apenas pela manhã, então, a não ser que a gente dedique uma manhã ou um dia a Burgos, será difícil combinar bem.

Querendo entrar ou não, no mapa indicamos como ponto-chave o mirante do castelo. No sopé do complexo militar abre-se essa esplanada circular que nos dá as melhores vistas da catedral e de Burgos. Dá para ver as grandes praças abertas em torno da catedral e as ruelas do entorno que preservam sua configuração medieval, além das grandes alamedas que, desde o século XX, mudaram a forma de passear por Burgos. Também se veem as grandes áreas verdes perto do Arlanzón. E ao fundo, as vastas terras de Burgos.

Rumo à catedral de Burgos: vamos falar do Gótico

Descendo a rua Valentín Palencia, você vê à esquerda o CAB, o Centro de Arte Contemporânea de Burgos, e à direita passa diante da igreja de San Esteban. De aparência militar, vale a pena parar para admirar sua portada gótica e, principalmente, o interior, pois abriga o Museu do Retábulo.

Retábulo De Pedra Da Igreja De San Nicolás No Trecho De Santo Domingo De La Calzada A Burgos
Retábulo de pedra da igreja de San Nicolás (foto cedida por Zarateman sob as seguintes condições)

Continuamos à direita, pela rua Fernán González, onde na Tournride recomendamos uma parada na igreja de San Nicolás. Apesar da entrada paga (€ 1,50), você não pode perder a visita ao interior, pois guarda um tesouro impressionante: seu retábulo de pedra. É uma obra do século XVI que um casal de importantes comerciantes encomendou a Francisco de Colonia, escultor nascido em Burgos, mas descendente de uma longa linhagem de grandes escultores alemães que participaram da decoração de muitas das catedrais espanholas.

Cruzamos em direção à catedral atravessando a praça de Santa María e, depois, a de San Fernando, onde fica o ponto de venda de ingressos da catedral. A visita a esse edifício é uma das mais recomendáveis de todo o Caminho Francês. Imponente e delicada ao mesmo tempo, é uma das obras máximas do estilo Gótico, que liberou as paredes dos edifícios de peso e permitiu que a luz entrasse nas catedrais.

Interior Da Catedral De Burgos, Onde Se Pode Ver O Trifório Cego Decorado
Interior da catedral de Burgos, onde se pode ver o trifório cego decorado (foto cedida por Solbaken sob as seguintes condições)

O Gótico foi um estilo que nasceu na França e que prevaleceu durante quase quatro séculos por toda a Europa. Durante esse tempo, a sociedade e a moda mudaram muito, e a arte gótica foi se adaptando aos novos gostos e, por isso, mudou em suas formas. Na verdade, distinguem-se quatro estilos góticos diferentes (além das próprias variações que podem ser encontradas em cada país).

A catedral começou a ser construída em 1221, momento em que prevalecia o estilo gótico clássico, como as catedrais de Paris, Chartres ou Reims. Esse estilo antecede o gótico primitivo, que, embora já tivesse trocado o arco pleno pelo ogival, mantinha formas da arquitetura românica, como o uso do pódio dentro das igrejas. A tribuna era uma galeria em formato de nave lateral colocada sobre as naves laterais, que você verá, por exemplo, na catedral de Santiago (uma das culminâncias do Românico). O gótico clássico evolui esse conceito e troca a tribuna pelo trifório, que estreita muito o corredor e permite que, na parede externa, se abra alguma janela para deixar entrar a luz.

Interior Da Catedral De Santiago, Onde Se Vê A Tribuna Que Ocupa Todo O Espaço Superior Das Naves Laterais
Interior da catedral de Santiago, onde se vê a tribuna que ocupa todo o espaço superior das naves laterais (foto cedida por Jansoone sob as seguintes condições)

A fachada da catedral de Burgos também seguiu, em seus inícios, as formas do estilo gótico clássico: o corpo central mais largo que os laterais (porque coincide com a nave central no interior) e tudo emoldurado por duas torres simétricas, com uma grande rosácea no meio.

Fachada Principal Da Catedral De Burgos
Fachada principal da catedral de Burgos

As sucessivas reformas que foram feitas na catedral foram adicionando espaços e modificando o que havia sido feito antes. Seguindo o exemplo da fachada, por exemplo, vemos como os dois corpos superiores das torres são muito mais ornamentados em decoração do que a parte inferior, e que foram adicionados no século XV. Por isso correspondem ao gótico flamígero, quando, na etapa final do estilo gótico, a decoração se tornou muito mais profusa, acrescentando tracerias, traços, pináculos e agulhas por toda parte. Aliás, as agulhas das torres foram projetadas por Juan de Colonia, pai do escultor que fez o retábulo em pedra de San Nicolás de que falamos antes. Esse artista também projetou o cimbório, a cúpula que cobre o centro da catedral onde todas as naves se cruzam. A área do solo abaixo do cimbório é o cruzeiro, e nele podemos ver aqui o túmulo do Cid e Dona Jimena.

A combinação de estilos da catedral cria um edifício majestoso, em que o respeito pelas linhas básicas iniciais deu lógica ao conjunto que maravilha o visitante. Não dá para falar aqui de todos os detalhes e espaços que tornam esta catedral especial, que desde 1984 é Patrimônio da Humanidade. Vamos apenas citar algumas das partes mais famosas da catedral, como a Capela do Condestável (feita por Simón de Colonia, outro membro da família de artistas já mencionada, com uma linda cúpula em forma de estrela), o claustro e a impressionante decoração escultórica da portada. Nesse caso, para entender, é preciso ver!

Do arco de Santa María à estátua do Cid

Voltamos à praça de San Fernando e cruzamos o arco de Santa María, para poder admirá-lo a partir do lado sul. É uma das antigas 12 portas que tinha a muralha da cidade, remodelada entre os séculos XIV e XVI, sendo a maior parte do que vemos desse último século. Ainda assim, já deveria haver um arco antes desses séculos, porque no “Poema del Mío Cid” é mencionado.

Arco De Santa María Em Burgos
Arco de Santa María em Burgos

A construção maravilhosa que vemos hoje é muito mais do que um simples arco: trata-se de um grande arco triunfal em forma de retábulo de pedra pelo exterior, com um interessante espaço expositivo por dentro, que antigamente abrigava a câmara municipal. Você pode entrar gratuitamente, embora existam horários.

Continuamos pelo Paseo del Espolón rumo ao norte, em direção à Plaza Mayor. Ela acumula cinco nomes diferentes desde que foi criada e, atualmente, encontramos nela a Câmara Municipal, de estilo neoclássico, sobre o que antes era a Porta de Carretas.

Deixamos a praça para voltar de novo ao Paseo Espolón e, em poucos metros, estamos diante da estátua de um dos personagens mais famosos da história de Burgos: El Cid.

Estátua Do Cid Em Burgos
Estátua do Cid em Burgos (foto cedida por Chicadelatele sob as seguintes condições)

Chamado Rodrigo Díaz de Vivar, foi um cavaleiro que, durante a Reconquista, lutou em várias batalhas e chegou a conquistar Valência, criando um senhorio independente de qualquer rei, que manteve até a morte em 1048. Depois, sua esposa, Jimena, assumiu as rédeas do senhorio, mas quando morreu, em 1102, o lugar voltou às mãos dos árabes.

Em torno desse personagem histórico real foi criada uma figura exaltada historicamente, para o que as crônicas dos seus feitos militares ajudaram muito. O mais conhecido é um dos mais importantes poemas medievais: “El Cantar del Mío Cid”. Rodrigo é considerado um herói histórico em Castela, embora também existam documentos que definem a sua figura mais próxima a um mercenário (diz-se que lutou tanto por árabes como por cristãos). O que está claro é que foi uma pessoa que, num momento turbulento, usou seu senso de estratégia e sua coragem para se posicionar de forma tão clara, que os apelidos que ficaram na história para se referir a ele são “señor” (“cid”) e o de “campeador” (“perito em batalhas campais“).

A estátua equestre que brilha em Burgos é feita de bronze e mede quase 4 metros. Foi feita em 1947 pelo artista Juan Cristóbal González Quesada. Nela vemos o Cid montado no cavalo e alinhado com a espada. Chama a atenção o movimento que seu manto transmite ao ar.

Terminamos o passeio aproveitando a gastronomia burgalesa

Depois deste passeio curto mas intenso, na Tournride te propomos algumas ruas onde você encontra vários bares e restaurantes para tomar algo e comer uns petiscos.

Perto da praça principal você encontra várias ruas para pedestres com clima muito agradável e vários bares e restaurantes onde pode pedir tanto tapas elaboradas quanto um menu do dia. Um exemplo disso é a rua San Lorenzo (que sai direto da praça) ou a rua Sombrerería, que é paralela.

Mesmo assim, praticamente todas as ruas da cidade velha estão cheias de restaurantes que tentam oferecer o melhor da gastronomia de Burgos: morcilla com arroz, queijo fresco de Burgos ou leitão; entre outras coisas.

Se você decide ficar… a gente conta que Burgos tem muito a oferecer!

Se você quiser e puder ficar um dia para descansar em Burgos, vai perceber que não vai ter muito tempo para o tédio… Há uma infinidade de monumentos e museus que vão tornar a sua visita memorável.

A entrada do Caminho Francês em Burgos é feita pelo Arco de San Juan, outra das 12 antigas portas da cidade, perto da qual fica um mosteiro com o mesmo nome. É provável que ao chegar você não tenha tido muito tempo para dar uma olhada, mas agora pode voltar para vê-los.

Ainda assim, na Tournride recomendamos três visitas-chave: o mosteiro de Las Huelgas, a Cartuja de Miraflores e o Museu da Evolução Humana (com ou sem visita aos sítios de Atapuerca).

Nossas duas primeiras recomendações ficam longe do centro e bastante distantes entre si, mas a visita vale muito a pena. O Mosteiro de Las Huelgas fica a oeste, na zona sul do rio Arlanzón.

Exterior Do Mosteiro De Las Huelgas Em Burgos
Exterior do Mosteiro de Las Huelgas (foto cedida por Lourdes Cardenal sob as seguintes condições)

Como a catedral, é dedicado a Santa María e é o mais importante mosteiro cisterciense de todos os que há na Espanha. Já falamos na etapa 4 de como a Ordem de Cîteaux surgiu em oposição à de Cluny, em defesa dos valores da austeridade eclesiástica, refletidos na sobriedade da sua arquitetura.

Este mosteiro segue essa limpeza arquitetônica mas também é especial porque sua história está intimamente ligada à da Coroa. Foi fundado diretamente pelos reis e, além de abrigar um grande panteão real, foi cenário de muitas coroações reais. Também foi um espaço em que a rainha fundadora, Leonor, quis que as mulheres alcançassem a mesma importância que os homens e, por isso, as freiras, sendo a maioria descendentes da classe alta, só respondiam ao Papa e estavam encarregadas de muitas outras terras e mosteiros.

Por outro lado, a Cartuja de Miraflores leva o nome dos monges que a dirigiam, os cartuxos. Embora tenha sido fundada no século XV, sofreu um grande incêndio no século XVI e foi reconstruída, sendo também dedicada a Santa María. A igreja foi toda construída nessa época e, portanto, é inteiramente de estilo gótico tardio. Além do edifício em si, a Cartuja tem vitrais e entalhes nos túmulos que são excepcionais.

Exterior Da Cartuja De Miraflores Em Burgos
Exterior da Cartuja de Miraflores (foto cedida por Ecelan sob as seguintes condições)

O Museu da Evolução Humana é um grande espaço museológico cujos principais méritos são três: o valor que dá aos achados dos sítios de Atapuerca, a consciência que promove da complexidade das diferentes disciplinas científicas que atuam neles e, acima de tudo, a proeza de se tornar um espaço divulgativo em que tudo isso é transmitido ao visitante de forma divertida e simples. Realmente nos faz refletir sobre nossas capacidades e limites a partir da compreensão do nosso passado. Se você tem interesse por esse tema e quer aprender um pouco mais, não hesite em visitá-lo!

Assim terminamos uma etapa dura que nos levou a entrar em Castela. A partir daqui, as planícies e os grandes cultivos de grãos serão uma paisagem que você vai acabar considerando familiar e, enquanto isso, você vai poder descobrir muitas aldeias interessantes com muito a oferecer ao peregrino.

Bom caminho!